Ex-ministro argentino liga Macri a subornos da Odebrecht

Julio De Vido negou qualquer ligação com subornos da construtora

Ex-ministro argentino liga Macri a subornos da Odebrecht
Ex-ministro argentino liga Macri a subornos da Odebrecht (foto: ANSA)
17:33, 26 DezBUENOS AIRES ZAR

(ANSA) - O ex-ministro da Planejamento da Argentina e atualmente deputado Julio De Vido negou qualquer ligação com os subornos que a construtora brasileira Odebrecht afirmou ter pago no país sul-americano e disse que o vínculo que deveria ser feito é o da companhia com o presidente argentino, Mauricio Macri.

"Desde já nego ter recebido subornos desta empresa e de nenhuma outra", afirmou De Vido que também acusou a imprensa "oficialista", ou seja, favorável ao atual governo do país, de encobrir o fato de que "o sócio da Odebrecht na principal obra [que a companhia tem] na Argentina é Angelo Calcaterra, primo de Mauricio Macri, através da [companhia] Iecsa" para realizar obras da ferrovia Sarmiento, em Buenos Aires.

 

 

"Queremos que se identifiquem quem são os supostos intermediários que cobraram [os subornos] e que digam a quais funcionários eles foram pagos", disse o ex-ministro do governo da ex-presidente Cristina Kirchner.

"Em nenhum dos casos que estão sendo relacionados a mim foi encontrada uma só prova contra mim neste sentido", disse De Vido nas suas redes sociais.

"Macri deu à Odebrecht e a seu primo um acréscimo de US$ 800 milhões a mais que o previsto na obra sem nenhuma justificativa", explicou o deputado referindo-se às obras da rede ferroviária Sarmiento, que cruzará a cidade de Buenos Aires.

 

 

"Se for certo que é assim que se movimenta essa empresa [Odebrecht], nem quero imaginar como [os membros do governo de Macri] fizeram para obter um benefício tão escandaloso", disse De Vido. Além disso, o político também ressaltou que a companhia brasileira e a argentina Iecsa são sócias na obra dos gasodutos em Córdoba realizada "com canos da Techint", multinacional ítalo-argentina que deu um forte apoio a Macri.

 

 

Há alguns dias, aliás, o presidente da Techint, Paolo Rocca, elogiou o rumo da economia no país que foi assumido pelo governo do presidente argentino e disse que são "notáveis" as suas realizações.

Sobre os subornos, a Secretaria Anticorrupção da Argentina (AO, na sigla em espanhol) contatou na última sexta-feira (23) fiscais e investigadores brasileiros para pedir informações e provas sobre o suposto pagamento de US$ 3,5 milhões da Odebrecht a funcionários do governo argentino entre 2007 e 2015.

A construtora brasileira já é alvo de investigações do órgão desde 2005, que foram reforçadas e ampliadas em dezembro do ano passado. Não é a primeira vez que De Vido é acusado de corrupção e ligado a polêmicas.

No começo deste ano, o ex-ministro foi denunciado por estar supostamente envolvido no caso de corrupção dentro da Petrobrás, o "Petrolão".

O político foi acusado pela deputada argentina Elisa Carrió de ter pagado propinas para a compra da Transener, ligada a Petrobrás, pela Electroingeniería. (ANSA)

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