Milhares de manifestantes vão às ruas contra reforma da Previdência

Trabalhador terá que contribuir por 49 anos para se aposentar

Manifestantes vão às ruas para protestar contra a reforma da Previdência (foto: EPA/FERNANDO BIZERRA JR )
20:58, 15 MarSÃO PAULO ZAR

(ANSA) - Diversas pessoas, entre trabalhadores e estudantes, realizam nesta quarta-feira (15) em cidades de todo o Brasil um protesto contra reforma da Previdência proposta pelo governo do presidente Michel Temer.

Em São Paulo, manifestantes ocupam um trecho da Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), desde as 15h. O ato conta com integrantes de diversos movimentos sociais, sindicais e trabalhadores que criticam as medidas propostas pelo governo federal. Três carros de som estão no local.
   

Professores e metalúrgicos ainda devem se juntar aos manifestantes na Avenida Paulista. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também está presente no local.
   

O coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, disse que a reforma da Previdência é uma ameaça concreta neste momento, uma vez que o governo federal já encaminhou o texto para o Congresso Nacional. De acordo com Bonfim, o ato de hoje é também contra a terceirização de serviços e a reforma trabalhista.
   

"A população está fazendo as contas: faltam cinco anos para se aposentar, aí [com a reforma] vão faltar mais cinco. Então, tem uma coisa muito objetiva: independentemente de questões partidárias ou de visões de esquerda e de direita, trata-se de um direito à aposentadoria, é uma coisa quase universal", disse

Bonfim, que também é integrante da Frente Brasil Popular. Para Bonfim, a oposição à reforma está espalhada pela população e não é um pleito somente de centrais sindicais e movimentos sociais.
   

Ele disse que hoje será um dia decisivo, um marco na história da luta dos trabalhadores e dos movimentos sociais. "Se não colocarmos hoje um fim nessa proposta [da reforma], pelo menos vamos iniciar uma grande jornada no Brasil, que extrapola os movimentos sociais, para barrar esse retrocesso todo." No centro do Rio de Janeiro, os manifestantes, ligados a centrais sindicais, entidades estudantis e sindicatos de várias categorias contam com apoio de três carros de som.
   

Eles se concentraram na Igreja da Candelária e às 17h30 iniciaram caminhada até a Central do Brasil, pela Avenida Presidente Vargas, que teve todas as 16 faixas interditadas ao trânsito. O policiamento foi reforçado, mas os policiais militares ficaram reunidos apenas no entorno da manifestação.
   

Em Belo Horizonte, os manifestantes se concentraram na Praça da Estação e de lá seguiram até a Praça da Assembleia. O ato foi convocado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem sindicatos, entidades estudantis e outras organizações sociais. Na avaliação dos organizadores, 150 mil pessoas participaram do protesto. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.
   

Para a presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), Beatriz Cerqueira, não é possível melhorar a proposta apresentada. "Essa reforma impossibilitaria o direito à aposentadoria. O problema dela é estrutural. Foi elaborada por quem não conhece a realidade da população brasileira." Ela também não concorda com o fim de especificidades das aposentadorias dos trabalhadores rurais, dos professores e de profissionais que têm risco de vida, como os eletricitários e policiais civis.

Diversas categorias de trabalhadores paralisaram as atividades hoje para participar do ato. A manifestação teve adesão de professores das redes públicas e privada, metroviários, eletricitários, trabalhadores da saúde, servidores da Universidade Federal de Minas Gerais e funcionários dos Correios, entre outros.
   

As 19 estações de metrô da capital mineira não abriram. O metrô tem apenas uma linha, que liga a região de Venda Nova até o município de Contagem, na região metropolitana, passando pelo centro da capital. Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), diariamente cerca de 240 mil pessoas utilizam o metrô.
   

Os manifestantes criticam principalmente a possibilidade de terem de contribuir para a Previdência por 49 anos para conseguirem direito à aposentadoria integral. Entre as medidas propostas pela reforma da Previdência está a que estabelece idade mínima de 65 anos para aposentadoria e fixa o tempo mínimo de contribuição em 25 anos. Contribuindo pelo período mínimo, o trabalhador teria direito a uma aposentadoria no valor de 76% de seu salário médio. A cada ano de trabalho adicional, faria jus a mais 1 ponto percentual.

A proposta tramita na Câmara dos Deputados e já recebeu mais de 140 emendas. A reforma da Previdência é justificada pelo governo federal como uma necessidade diante do déficit que o sistema enfrenta.
   

Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, as despesas com benefícios previdenciários estão crescendo de forma insustentável. (ANSA)

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