BC bloqueia R$ 2 milhões de 46 investigados na Carne Fraca

Em nota, ministério diz que inspeção é eficiente

Operação Carne Fraca envolve frigoríficos das maiores empresas do setor no Brasil
Operação Carne Fraca envolve frigoríficos das maiores empresas do setor no Brasil (foto: ANSA)
13:34, 19 MarSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O Banco Central bloqueou cerca de R$ 2 milhões de contas de 46 investigados na Operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira (17) pela Polícia Federal. A Justiça Federal determinou que o Banco Central fizesse o bloqueio de até R$ 1 bilhão de cada uma das contas.

As contas bloqueadas neste sábado (18) tinham valores diversos, que iam de centavos a até mais de R$ 500 mil. O valor de bloqueio de R$ 1 bilhão era o teto estipulado pela Justiça, não significando a identificação desse valor durante as investigações. A Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, desarticulou uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários que emitiam certificados sanitários sem fiscalização em troca de propina. Ao todo, cerca de 30 empresas fornecedoras de grandes frigoríficos estão sendo investigadas. Além disso, 33 fiscais federais também estão sob investigação.

Ainda segundo a PF, os frigoríficos envolvidos no esquema criminoso "maquiavam" carnes vencidas com ácido ascórbico e as reembalavam para conseguir vendê-las. A carne imprópria para consumo era destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação.

Governo

Mais cedo, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, defendeu o sistema de inspeção agropecuária brasileiro e disse que a fiscalização é "forte, robusta e séria". Segundo ele, o ministério está tomando todas as providências sobre as denúncias levantadas pela operação, mas não há motivos para a população ter receio de consumir carne.

"O que aconteceu foi desvio de alguns servidores, de algumas empresas, nós temos que discutir como foi que isso aconteceu. Mas eu posso garantir com toda tranquilidade: eu não deixarei de consumir e recomendo que você também não deixe porque não há risco nenhum", afirmou.

O presidente Michel Temer deve se reunir hoje (19) à tarde com Blairo Maggi para discutir as medidas do governo e a repercussão no mercado internacional depois da deflagração da Operação Carne Fraca. O objetivo será debater as medidas que já estão sendo tomadas pelo ministério e os possíveis impactos da operação sobre as exportações de carnes brasileiras.

Em nota, ministério diz que inspeção é eficiente

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou nota em que afirma que o "Serviço de Inspeção Federal brasileiro é considerado um dos mais eficientes e rigorosos do mundo".

Segundo o governo, o serviço tem 2,3 mil funcionários que inspecionam 4.837 unidades produtoras habilitadas a exportarem carne para 160 países. "Foi com este Serviço que construímos uma reputação de excelência na agropecuária e conseguimos atender às exigências rigorosas de diferentes nações", diz a nota.

O ministério afirma ainda que as denúncias que vieram à tona com a Operação Carne Fraca são "fatos pontuais", após a denúncia inicial de um fiscal. Ao todo, 33 fiscais federais estão sob investigação.

"O governo brasileiro, através de seus serviços de fiscalização, da Polícia Federal e outros órgãos de controle cumpre seu papel de garantir a qualidade e sanidade, tanto dos produtos alimentícios destinados ao mercado externo quanto ao mercado interno, sejam de origem animal ou vegetal." Ainda de acordo com a nota, a investigação da Polícia Federal e as medidas tomadas pelas autoridades do Ministério da Agricultura são "a maior prova de que nossos sistemas de proteção e fiscalização está alerta e funcionando plenamente e servem como garantia ao consumidor da qualidade dos produtos de origem agropecuária de nosso país". Fonte: Agência Brasil (ANSA)

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