Temer cria força-tarefa para Operação Carne Fraca

Superintendentes do Paraná e de Goiás são exonerados

Temer cria força-tarefa para Operação Carne Fraca (foto: EPA)
12:18, 20 MarSÃO PAULO ZAR

(ANSA) - Na abertura da reunião com cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira, o presidente Michel Temer anunciou neste domingo (19) um maior rigor na fiscalização dos frigoríficos do país.

O mandatário brasileiro ressaltou que problemas descobertos pela Operação Carne Fraca são pontuais, que a carne produzida e exportada pelo país é de qualidade e que o governo determinou celeridade nas auditorias que serão feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema criminoso.

"Quero fazer um comunicado de que decidimos acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na investigação da Polícia Federal. Na verdade, são 21 unidades, no total, três dessas unidades foram suspensas e todas as 21 serão colocada sob regime especial de fiscalização a ser conduzida por força-tarefa do Ministério da Agricultura", anunciou Temer.

Para o presidente, as empresas flagradas no esquema de "maquiagem" de carne estragada representam um "mínimo" diante do total de plantas frigoríficas do país.

"É importante sublinhar que dos 11 mil funcionário do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, delas, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades. Fazemos essa comunicação para que os senhores, acompanhando o que estamos fazendo a partir de ontem, possam lançar esse comunicado aos seus países, governantes para tranquiliza-los no tocante ao noticiário que se deu nesses últimos dias", disse aos representantes de países importadores de carne brasileira.

Temer considerou o assunto como urgente e, para atestar a confiança no produto brasileiro, convidou os diplomatas para uma churrascaria. "Queremos convidar a todos para, quando saímos daqui, quem puder aceitar, vamos todos a uma churrascaria para comer a carne brasileira", disse o presidente.

No espaço, no Setor de Clubes Sul de Brasília, o mandatário, ministros e os embaixadores dos países importadores de carne se "deliciaram" com o rodízio, cuja carne era "boa", segundo Temer.

O jantar, no entanto, contou com uma polêmica, a de que a carne na churrascaria Steak Bull não era brasileira, mas sim australiana, argentina e uruguaia. Em entrevista, Rodrigo Carvalho, um dos gerentes do estabelecimento, disse que cortes brasileiros não são servidos no local.

A afirmação foi rapidamente discutida pelo Palácio do Planalto que, em nota, afirmou que, exclusivamente para ocasião, foram servidas apenas carnes nacionais. Após o comunicado, outro gerente da churrascaria, Paulo Godoi, mudou a versão do estabelecimento e concordou com a do governo.

Superintendentes são exonerados

Portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) exonerou de cargos comissionados os superintendentes federais de agricultura, pecuária e abastecimento do Paraná, Gil Bueno de Magalhães; e de Goiás, Júlio César Carneiro.

Na sexta-feira (17), depois que a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, o governo anunciou o afastamento de 33 servidores suspeitos de envolvimento nas irregularidades investigadas.

A operação da Polícia Federal denunciou um esquema criminoso envolvendo empresários do agronegócio e fiscais agropecuários que facilitavam a emissão de certificados sanitários para alimentos inadequados para o consumo. De acordo com a PF, frigoríficos envolvidos nesse esquema criminoso "maquiavam" carnes vencidas e as reembalavam para conseguir vendê-las.

As empresas subornavam fiscais do ministério para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização.

Segundo a PF, o esquema envolvia servidores das superintendências regionais do Ministério da Agricultura nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás. Os investigadores informaram que eles atuavam diretamente para proteger grupos de empresários em detrimento do interesse público.

O caso levou o presidente Michel Temer a anunciar, neste domingo (19), mais rigor na fiscalização dos frigoríficos brasileiros e a determinar celeridade nas auditorias a serem feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema. O anúncio foi feito na presença de ministros de estado e cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira.

Segundo o presidente, os problemas descobertos pela Operação Carne Fraca são pontuais: "é importante sublinhar que dos 11 mil funcionário do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades", disse ontem o presidente. Fonte: Agência Brasil. (ANSA)

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