UE antecipa missão em frigoríficos após 'Carne Fraca'

Delegação do bloco está no Brasil para inspecionar empresas

Operação Carne Fraca afetou credibilidade de frigoríficos brasileiros
Operação Carne Fraca afetou credibilidade de frigoríficos brasileiros (foto: EPA)
21:02, 05 MaiSÃO PAULO Beatriz Farrugia

(ANSA) - O embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, disse nesta sexta-feira (5) que uma delegação do bloco está no país para fiscalizar frigoríficos devido às denúncias levantadas pela Operação Carne Fraca, deflagrada em março pela Polícia Federal.

"Esse assunto não está encerrado. Mas estamos olhando para uma questão de natureza técnica e tentando avaliar exatamente o grau, a escala, do problema", disse o representante da UE, em um evento na Fiesp dedicado à análise do acordo comercial negociado entre o bloco europeu e o Mercosul.

"Essa missão de inspeção acontece de forma regular, mas, devido à pressão, foi antecipada. Era algo que aconteceria só para o final do ano, ou início de 2018. Com isso levantado pela PF brasileira, foi antecipado", comentou Cravinho.

A delegação europeia iniciou as inspeções nos frigoríficos brasileiros em 2 de maio e deve permanecer no país até dia 12. "Os resultados das análises serão conhecidos no fim de maio", explicou o embaixador, ressaltando que qualquer medida relacionada à importação da carne brasileira será avaliada e anunciada após a conclusão da missão.

"A expectativa é que eventuais problemas sejam notificados, mas problemas menores. Só não posso antecipar as conclusões dos técnicos", acrescentou. Dos 21 frigoríficos apontados pela PF na Operação Carne Fraca, quatro deles exportavam para a UE e atualmente estão interditados, sob cuidados do Ministério da Agricultura.

Segundo a assessoria de imprensa da pasta, há atualmente nove frigoríficos interditados: Rainha da Paz (Ibiporã/PR) e Transmeat (Balsa Nova/PR), de maneira parcial; e Indústria de Laticínios (Sapopemba/PR), Central de Carnes Paranaenses (Colombo/PR), Fábrica de Farinha de Carnes Castro (Telêmaco Borba/PR), dois da Peccin Agro Industrial (Curitiba/PR e Jaraguá do Sul/SC), um da BRF (Mineiros/GO) e outro da Souza Ramos (Colombo/PR), de maneira total.

"Esses quatro frigoríficos, portanto, não serão alvos da inspeção. Essa missão é para um grupo de frigoríficos, de oito a 10, que são uma amostragem de diferentes partes do país, como sempre é feito nessas fiscalizações, para verificar se a teoria se prova na prática. Porque, o que existe, é um sistema teórico de controle sanitário, e depois, por amostragem, verifica-se se esse mecanismo está funcionando", afirmou Cravinho.

"Tipicamente, verificam-se pequenos problemas, nada de grave, nada fatal". Logo após virem à tona as denúncias da PF, a União Europeia suspendeu temporariamente a compra de carnes de empresas envolvidas no escândalo, que ocorre enquanto o bloco e o Mercosul tentam finalizar um acordo comercial. (ANSA)

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