Protestos marcam 1ª noite dos desfiles do Rio de Janeiro

Presidente Michel Temer foi criticado pela Paraíso de Tuiuti

Protestos e estouro de tempo marcam 1ª noite de desfiles no Rio (foto: Reprodução / Twitter)
17:03, 12 FevSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - O primeiro dia de desfiles do grupo Especial do Rio de Janeiro foi marcado por protestos e por problemas da escola Grande Rio, que estourou o tempo após ter um carro quebrado e perderá 0,5 ponto pelo atraso.
   

No entanto, o principal destaque, que ganhou repercussão mundial, ficou com a Paraíso de Tuiuti. A agremiação recontou a história da escravidão no Brasil e fez críticas à reforma trabalhista aprovada recentemente.
   

Na última alegoria, a escola levou um vampiro com uma faixa presidencial para a Marquês de Sapucaí.
   

Já a Grande Rio foi a quinta escola a entrar no Sambódromo. O problema foi causado pela alegoria "O Carnaval em Minha Vida".
   

Muito largo, uma das rodas da alegoria ficou presa na agulha de acesso à pista da Avenida Presidente Vargas, quando estava sendo deslocada para entrar no sambódromo.O incidente assustou os componentes que estavam no carro.
   

Desfiles

O primeiro dia de desfiles do grupo especial foi também de enredos de protestos. A escola Paraíso do Tuiuti desfilou um enredo com a indagação: a escravidão no Brasil verdadeiramente acabou? A apresentação da agremiação da comunidade do Morro do Tuiuti, no bairro de São Cristóvão, emocionou o público no Sambódromo. A comissão de frente foi muito aplaudida. Ela trazia componentes que se revezavam ora como escravos ora como pretos velhos. A escola criticou ainda a exploração do trabalho no campo e nas minas e as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
   

Mangueira - A Mangueira animou o público com o enredo que criticou o corte de recursos da prefeitura e o modelo atual das escolas de samba que, em parte, ainda depende de grandes somas de dinheiro para garantir a produção das apresentações. A escola resgatou o carnaval popular. "A ideia é esta. É botar o povo para brincar", disse Leandro Vieira, o carnavalesco da Verde e Rosa, que sambava entre os componentes durante o desfile descontraído que a escola fez, e que teve resposta positiva do público.
   

A bateria da escola veio com os ritmistas caracterizados de bate-bola, importante personagem do carnaval de rua. A Mangueira também homenageou blocos tradicionais do Rio de Janeiro, trazendo alas homenageando o Bafo da Onça, Cacique de Ramos e o Cordão da Bola Preta, entre outros.
   

Em um dos carros alegóricos, uma escultura representava o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, ao lado de uma frase: "Prefeito pecado é não brincar o carnaval", uma alusão à polêmica do corte de recursos como subvenção às escolas de samba. Em outra alegoria, a Mangueira trouxe um de seus símbolos: o cantor e compositor e presidente de honra da Estação Primeira, Nelson Sargento.
   

São Clemente - A segunda escola a entrar na avenida no domingo, a São Clemente homenageou a Escola de Belas Artes, onde o carnavalesco Jorge Silveira se formou. A escola do bairro de Botafogo falou de Debret e a sua influência nas artes brasileiras. Lembrou ainda a participação de ex-alunos e professores que trabalharam nas escolas de samba e ajudaram a construir a história do carnaval carioca.
   

Vila Isabel - A Unidos de Vila Isabel destacou os grandes temas ambientais que terão reflexo no futuro do planeta. O enredo, Corra que o futuro vem aí, a escola defendeu a preservação do meio ambiente. O carnavalesco Paulo Barros ousou mais uma vez com alegorias vivas, aquelas em que os componentes fazem movimentos intensos durante o desfile.
   

Império e Mocidade - Duas escolas falaram de costumes e influências de outros países no Brasil. O Império Serrano abriu os desfiles no domingo e evoluiu mostrando os caminhos das viagens de Marco Polo, importante viajante da idade média que explorou o comércio com países da Ásia, principalmente a China.
   

A outra escola foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, agremiação da zona oeste do Rio, que desfilou com o enredo destacando o que há de influência da Índia no Brasil. Mostrou as frutas originárias do país asiático, que são cultivadas por aqui, entre elas, a manga, jaca e, principalmente, a cana, de onde se extrai o álcool e o açúcar, importantes produtos da economia nacional . Fonte: Agência Brasil ( ANSA)

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