Brasil ultrapassa marca de 62 mil homicídios por ano

A violência atinge sobretudo a população negra do país

Intervenção militar no Rio de Janeiro ainda não apresentou resultados
Intervenção militar no Rio de Janeiro ainda não apresentou resultados (foto: ANSA)
21:25, 05 JunSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - No ano de 2016, 62.517 pessoas foram assassinadas no Brasil, o que equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram divulgados nesta terça-feira (5), no Atlas da Violência 2018, apresentado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Segundo a análise, a taxa de homicídios no Brasil corresponde a 30 vezes a da Europa, e o país soma 553 mil pessoas assassinadas nos últimos 10 anos.

Todos os estados que lideram a taxa de letalidade estão no Norte ou no Nordeste: Sergipe (64,7 para cada 100 mil habitantes), Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3) e Bahia (46,9). As maiores variações foram observadas em São Paulo, onde houve redução de 56,7%, e no Rio Grande do Norte, que registrou aumento de 256,9%.

Juventude negra

A violência letal contra jovens continua se agravando nos últimos anos e já responde por 56,5% das mortes de homens entre 15 e 19 anos de idade. Na faixa entre 15 e 29 anos, sem distinção de gênero, a taxa de homicídio por 100 mil habitantes é de 142,7, e sobe para 280,6 se considerarmos apenas os homens jovens.

O problema se agrava ao incluir a raça/cor na análise. Nos últimos 10 anos, a taxa de homicídios de não negros diminuiu 6,8%, enquanto a vitimização da população negra aumentou 23,1%, chegando em 2016 a uma taxa de 40,2 para indivíduos negros e de 16 para o resto da população. Ou seja, 71,5% das pessoas que são assassinadas a cada ano no país são pretas ou pardas.

Feminicídio e estupro

A violência contra a mulher também piora a cada ano. Os dados apontam que 68% dos registros de estupro são de vítimas menores de 18 anos, e quase um terço dos agressores das crianças de até 13 anos é de amigos e conhecidos da vítima, e 30% são familiares mais próximos, como pais, mães, padrastos e irmãos.

Quando o criminoso é conhecido da vítima, 54,9% dos casos são ações recorrentes, e 78,5% ocorreram na própria residência. (ANSA)

Fonte: Agência Brasil

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