Rompimento de barragem causa tragédia em Brumadinho

Cerca de 300 pessoas estão desaparecidas

Rompimento de barragem causa tragédia em Brumadinho (foto: EPA)
18:03, 26 JanSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O Corpo de Bombeiros informou há pouco que, dos 345 desaparecidos em Brumadinho, 46 foram encontrados e encaminhados para unidades de saúde. Com isso, restam 296 desaparecidos, na contagem oficial. O número de mortos, no momento, é de 34 pessoas. 

As autoridades trabalhavam com o número de 345 desaparecidos, que seriam funcionários e pessoas que prestavam trabalho para a mineradora Vale.

Moradores e familiares que dão falta de mais pessoas estão sendo orientados a passarem os dados para as autoridades incluírem no balanço. No momento, cerca de 80 famílias são consideradas desaparecidas, mas também pela falta de contato telefonônico e energia elétrica que impedem que a Defesa Civil confirme a situação delas. 

O comandante do Corpo de Bombeiros de MG informou que há a possibilidade de encontrar sobreviventes em quatro pontos de Brumadinho: dentro de um ônibus, em uma locomotiva, em um prédio e na comunidade Parque das Cachoeiras.

Os bombeiros confirmaram ainda que 19 famílias estão desalojadas, totalizando 60 pessoas, as quais estão recebendo atendimento em Brumadinho.

Vítimas

A primeira vítima identificada da tragédia é a médica do trabalho Marcelle Porto Cangussu. Formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a jovem trabalhava desde 2015 na Vale.

Governo

O presidente Jair Bolsonaro sobrevoou pela manhã a área da tragédia em Brumadinho. Ele já retornou para Brasília e não deu declarações à imprensa.

No Twitter, Bolsonaro disse que é “difícil ficar diante de todo esse cenário e não se emocionar”. “Faremos o que estiver ao nosso alcance para atender as vítimas, minimizar danos, apurar os fatos, cobrar justiça e prevenir novas tragédias como a de Mariana e Brumadinho, para o bem dos brasileiros e do meio ambiente”, escreveu.

Pelo Twitter, ele também informou que o governo federal publicou um decreto que instituiu o Conselho Ministerial de Supervisão de Respostas a Desastre, coordenado pelo Ministro da Casa Civil.

"A finalidade é acompanhar e fiscalizar as atividades a serem desenvolvidas em decorrência do desastre e acompanhar as ações de socorro, de assistência, de reestabelecimento de serviços essenciais afetados, de recuperação de ecossistemas e de reconstrução.
Para o alcance de seus objetivos, o Comitê poderá convidar para as reuniões representantes do governo do Município de Brumadinho e do Estado de Minas Gerais, de outros órgãos e entidades da administração pública federal, do Ministério Público Federal e do Estado de Minas Gerais, da Defensoria Pública da União e do Estado de Minas Gerais da Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais, além de representantes do governo, do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública dos Estados e Municípios eventualmente atingidos. Poderão participar, ainda, integrantes de instituições acadêmicas, pesquisadores e especialistas de áreas técnicas relacionadas aos objetivos do Comitê", explicou Bolsonaro.

Por sua vez, Gustavo Canuto, ministro do Desenvolvimento Regional, ressaltou que os esforços atuais são para o resgate e busca de desaparecidos. “O número não é importante, porque uma pessoa já é importante. Uma pessoa para aquela família que perdeu um ente querido, um funcionário”.

Bolsonaro ordenou o deslocamento dos ministros do Meio Ambiente (Ricardo Salles), do Desenvolvimento Regional (Gustavo Canuto) e de Minas e Energia (Bento Costa Lima) para a região, assim como o secretário nacional de Defesa Civil, Alexandre Lucas

 

Operações de busca

As autoridades brasileiras têm analisado uma proposta de receber equipamentos oferecidos por Israel para auxiliar na busca de corpos embaixo de escombros de até 4 metros.

 

Acidente

Uma barragem de rejeitos da mineradora Vale se rompeu nesta sexta-feira, em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte, estado brasileiro que há, três anos, foi palco da tragédia em Mariana com a Samarco.

Segundo a Vale, o incidente ocorreu no reservatório da mina do Feijão, e os rejeitos atingiram a zona administrativa da empresa e a comunidade da Vila Ferteco. O desastre ocorreu no horário do almoço, quando os funcionáros se concentravam no refeitório, que foi coberto pela lama.

Ainda de acordo com os Bombeiros, a barragem do Feijão se rompeu, e os rejeitos derrubaram dois outros reservatórios menores. As autoridades dizem que não há risco de novos desmoronamentos.

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, no entanto, afirmou que apenas uma barragem desabou e que as outras transbordaram.  "Não sabemos quantos foram afetados porque houve um soterramento pelo produto vazado da barragem", afirmou.

A cidade fica a 120 quilômetros de Mariana, que teve um distrito, Bento Rodrigues, destruído por um desastre semelhante em novembro de 2015. A tragédia matou 19 pessoas.

A barragem de Mariana era operada pela Samarco, consórcio entre a Vale e a empresa britânica BHP Billiton. Até hoje ninguém foi punido pelo maior desastre ambiental da história do Brasil.

 
 
 
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Vale

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, afirmou que não sabe dizer qual foi o motivo que levou ao rompimento da barragem de Feijão.

"Fizemos tudo o que a gente entende que era possível para garantir a segurança e a estabilidade. O fato é que não sabemos o que aconteceu, mas certamente vamos descobrir", declarou.

Segundo ele, a Vale virou "todas as barragens do avesso" depois da tragédia de Mariana e contratou "as melhoras auditorias do mundo". "Como vou dizer que a gente aprendeu se acaba de acontecer um acidente desses?", acrescentou.

"Desde já quero pedir nossas sinceras desculpas pelo sofrimento que está sendo causado, não importa a causa. Isso é inaceitável", declarou Schvartsman.

Mais tarde, em novo pronunciamento, ele indicou que a tragédia de Brumadinho deve ter mais mortos que a de Mariana. "A parte ambiental deve ser muito menor, e a tragédia humana, terrível", disse.

A barragem estava desativada desde 2015 e continha sobretudo silica separada do minério de ferro na exploração. Segundo o executivo, o potencial de contaminação é muito menor do que o dos rejeitos que vazaram em Mariana.

Schvartsman diz que a auditoria alemã Tüv Süd atestou em 26 de setembro de 2018 "a perfeita estabilidade da barragem". Ele assumiu o cargo em 2017, sob o lema "Mariana nunca mais".

Danos

As autoridades mineiras confirmaram que foram 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos mineras vazados com o rompimento da barragem, e que o dano representa 20% do que o registrado em Mariana, na tragédia com a Samarco, em 2015.

O governo federal afirmou que o Ibama aplicará uma multa de R$ 250 milhões à Vale, referente somente aos danos ambientais e às pessoas de Brumadinho. Já a Justiça de Minas pediu o bloqueio de R$1 de recursos da Vale. (ANSA)

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