Presidente afastado da Vale depõe em CPI e nega culpa

Schvartsman disse que não sabia de risco de rompimento

Fabio Schvartsman se afastou temporariamente do comando da Vale
Fabio Schvartsman se afastou temporariamente do comando da Vale (foto: EPA)
16:28, 28 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Em depoimento no Senado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Brumadinho e outras barragens, o presidente afastado da Vale, Fabio Schvartsman, disse nesta quinta-feira (28) que nunca chegou a seu conhecimento que houvesse risco iminente de rompimento de reservatórios da empresa.

"No caso de Brumadinho, posso afirmar categoricamente que jamais chegou ao meu conhecimento nenhuma denúncia pelos canais oficiais da empresa ou quaisquer outros, nem mesmo os anônimos, relatando risco iminente de rompimento de barragens", afirmou.

O executivo insistiu que todos os relatórios enviados à diretoria e ao conselho de administração da companhia foram atestados por empresas mundialmente reconhecidas em segurança de barragens e indicavam estabilidade dos reservatórios.

Sobre a conduta da Tuv Sud, empresa alemã que atestou a estabilidade da barragem em Brumadinho, Schvartsman se disse surpreso. "Jamais imaginamos que uma companhia desse porte e reconhecimento poderia emitir um laudo em uma situação que não houvesse real estabilidade".

Em sua defesa, ele acrescentou que, sob sua administração, a mineradora cumpriu integralmente a legislação brasileira para mineração e barragens. Nesse sentido, ressaltou que os investimentos da empresa em segurança de barragens cresceram significativamente, de R$ 180 milhões em 2017 para R$ 241 milhões em 2018. Para 2019, o valor previsto é de R$ 256 milhões.

Vários senadores insistiram para que Schvartsman apontasse nominalmente quem são os responsáveis pela tragédia na Mina do Córrego do Feijão. "A responsabilidade, se houver, é certamente da área técnica. Não há duvida de que houve algo tremendamente errado, e tenho certeza que as investigações vão apontar os responsáveis", disse, sem citar nomes.

Questionado outras vezes sobre de quem é a responsabilidade pela instalação do refeitório e da área administrativa da mina, bem próximas à barragem que se rompeu, o presidente afastado disse que as áreas técnicas de cada região tinham autonomia e independência financeira para essa tomada de decisão.

Schvartsman é o primeiro convocado a depor pela CPI. Ele seria ouvido na última quinta-feira (21), na condição de convidado, mas, em recuperação após uma cirurgia de catarata no olho direito, apresentou um atestado médico e teve sua convocação aprovada para esta quinta. O presidente interino da mineradora, Eduardo Bartolomeo, também teve um requerimento de convocação aprovado e será ouvido pelos senadores em data ainda não definida. (ANSA)

Fonte: Agência Brasil

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