ONU condena morte de líder indígena no Amapá

Emyra Wajãpi foi encontrado morto na semana passada

Foto de arquivo mostra indígenas da etnia wajãpi
Foto de arquivo mostra indígenas da etnia wajãpi (foto: Rede de Cooperação Amazônica (RCA))
15:15, 29 JulSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, cobrou nesta segunda-feira (29) uma investigação sobre a morte do cacique Emyra Wajãpi, líder da etnia wajãpi e cujo corpo foi encontrado dentro de um rio em uma área demarcada no Amapá, em 25 de julho.

"O assassinato de Emyra Wajãpi, líder dos indígenas wajãpi, é trágico e condenável por si só. Também é um sintoma inquietante do crescente problema da invasão das terras indígenas, especialmente nas florestas, por parte de mineradores, madeireiros e agricultores no Brasil", diz um comunicado de Bachelet.

A alta comissária também instou as autoridades brasileiras a agirem "rápida e eficazmente para investigar esse incidente e levar justiça a todos os responsáveis". "Apelo ao governo do Brasil que aja de maneira decisiva para deter a invasão dos territórios indígenas e garantir o exercício pacífico de seus direitos coletivos sobre suas terras", acrescenta.

Bachelet também cita o desejo do governo brasileiro de ampliar as áreas de mineração na Amazônia e alerta que isso pode aumentar a "violência, a intimidação e as mortes" na floresta.

"Peço para o governo do Brasil reconsiderar suas políticas para povos indígenas e suas terras, para que o assassinato de Emyra Wajãpi não dê início a uma nova onda de violência que afugente as pessoas de suas terras ancestrais e permita mais destruição da floresta tropical", diz o comunicado.

O pronunciamento de Bachelet chega pouco depois de o presidente Jair Bolsonaro ter colocado em dúvida o assassinato do cacique . "Não tem nenhum indício forte de que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades [...], buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso aí", disse.

Já os índios wajãpi afirmam que o cacique foi morto em meio a uma invasão de garimpeiros à aldeia Mariry, no Amapá. Membros da etnia também relatam a presença de invasores armados na região.

Bolsonaro, por sua vez, reafirmou sua intenção de autorizar o garimpo dentro de áreas demarcadas na Amazônia. "ONGs de outros países querem que o índio continue preso em um zoológico, como se fosse um ser humano pré-histórico", ressaltou. (ANSA)

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