Brasil rejeita ajuda financeira do G7 para Amazônia

Grupo anunciou que doará US$ 20 milhões para conter incêndios

Brasil rejeita ajuda financeira do G7 para Amazônia
Brasil rejeita ajuda financeira do G7 para Amazônia (foto: EPA)
13:38, 27 AgoSÃO PAULO ZBF

(ANSA) -O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (27) que, se o francês Emmanuel Macron "retirar os insultos" contra ele, o Brasil pode considerar aceitar a ajuda de US$ 20 milhões oferecida pelos países do G7 para combater os incêndios na Amazônia.

Questionado por jornalistas na manhã desta terça-feira sobre os motivos que levaram o Brasil a rejeitar o auxílio financeiro, Bolsonaro disse que não tinha recusado. "Eu falei isso? Eu falei? Jair Bolsonaro falou?", rebateu o presidente.

A informação de que o Brasil recusaria a verba foi dada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e pela assessoria do Palácio do Planalto.

"Primeiramente, o senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa. Primeiro, ele me chamou de mentiroso. Depois, pelas informações que eu tive, de que a nossa soberania está em aberto na Amazônia", afirmou Bolsonaro. "Para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, ele vai ter que retirar essas palavras e daí a gente pode conversar", ressaltou. "Primeiro ele retira [os insultos], depois ele oferece [ajuda], daí eu respondo".

O aporte de US$ 20 milhões tinha sido anunciado ontem (26), no último dia da cúpula do G7, em Biarritz, pelo anfitrião do evento, o presidente Emmanuel Macron, com quem Jair Bolsonaro tem trocado farpas em público.

A maior parte da verba oferecida pelo G7, grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo, serviria para enviar aviões para combater os focos de incêndio na Amazônia. Fontes de dentro do governo Bolsonaro disseram que a oferta foi considerada uma tentativa de Macron de se capitalizar politicamente em cima do tema. Apesar da questão do meio ambiente e dos incêndios na Amazônia ter sido um dos principais assuntos do G7, a declaração final do encontro foi enxuta e não abordou o tema.

O governo brasileiro acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descrente em relação ao aquecimento global e aliado de Bolsonaro, foi fundamental para evitar que Macron conseguisse aprovar uma declaração mais incisiva sobre a Amazônia. Macron adotou desde a semana passada uma postura forte contra as queimadas florestais.

O presidente francês chegou a publicar uma mensagem no Twitter na qual dizia que "nossa casa" estava em chamas. A postagem desagradou ao governo brasileiro, principalmente a cúpula militar, que alegou um risco de violação de soberania. Além disso, como Macron ameaçou se opor ao acordo de livre-comércio entre União Europeia (UE) e Mercosul, o governo Bolsonaro acusou o francês de oportunismo político.

Nos últimos dias, Bolsonaro e Macron trocaram acusações e críticas em público, elevando a tensão diplomática entre Brasil e França. No mês passado, o presidente brasileiro também cancelou uma reunião com o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian.
   

Apesar da recusa à oferta do G7, Bolsonaro aceitou apoio de Israel para conter as chamas na Amazônia. (ANSA)

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