Witzel 'lamenta' morte de Ágatha, mas defende polícia

Governador se pronunciou três dias após o falecimento da menina

Moradores do Complexo do Alemão protestam após morte de Ágatha
Moradores do Complexo do Alemão protestam após morte de Ágatha (foto: EPA)
19:05, 23 SetSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, lamentou nesta segunda-feira (23) a morte da menina Ágatha Vitória Sales Félix, de oito anos, mas defendeu a política de segurança que implementou no estado. A estudante foi vítima de bala perdida no Complexo do Alemão, na noite da última sexta (20).

Moradores dizem que o tiro partiu de um policial militar. A PM, no entanto, informou que naquele dia equipes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Fazendinha, na esquina da Rua Antônio Austragésilo com a Rua Nossa Senhora, foram atacadas de várias localidades da comunidade de forma simultânea e que os agentes teriam então revidado a agressão.

Nesta segunda-feira, o governador reuniu seus secretários da área de segurança para uma coletiva no Palácio Guanabara. "Eu lamento profundamente a perda. Meu sentimento é de pai, que também tem uma filha de nove anos. Olhando a minha filha, você acha que eu não choro, pensando na dor de qualquer pai ou mãe? Eu sou pai, tenho meus filhos em casa. Olho para eles na cama e penso: 'amanhã aquela mãe não vai ter mais um filho deitado na cama, para olhar, acariciar, passar a mão no cabelo'. Vocês pensam que eu não penso nisto? Eu não sou um desalmado. Eu sou uma pessoa de sentimento. Mas não é porque nós temos um fato terrível como este que nós vamos parar o estado", disse.

Witzel aproveitou a coletiva para fazer uma defesa da política de segurança implementada por seu governo, que tem gerado um alto número de mortes em confrontos e também várias vítimas inocentes atingidas por balas perdidas. Só neste ano, cinco crianças morreram por causa do fogo cruzado.

"A sensação de segurança é nítida. Nós hoje estamos em um ritmo de trabalho como nunca houve na história do estado e isto está incomodando demasiadamente o crime organizado, pois eles sabem que vão sofrer mais perdas ainda e nós não temos a menor intenção de parar de fazer o que está sendo feito. No caso da menina Ágatha, não era uma operação. O que o tráfico e o crime organizado fazem é fustigar a polícia para que ela seja obrigada a enfrentá-los. A polícia não cria o confronto. Quem cria o confronto são as organizações criminosas", justificou.

Em outro momento da coletiva, o governador afirmou que parte da oposição estava fazendo da morte da menina um palanque político para atacar seu governo e também o pacote anticrime defendido pelo ministro da Justiça, Sergio Moro.

"Não transformem em palanque político o caixão das vítimas da violência. É indecente usar um caixão como palanque, principalmente o de uma criança. A oposição está fazendo um palanque em cima do fato. E como a situação se desbordou, eu preferi reunir o nosso governo para que nós déssemos uma explicação de estado", declarou Witzel.

Questionado sobre a demora em se pronunciar, o governador alegou que estava reunindo informações para se manifestar: "No caso da menina Ágatha eu não estava no momento. Eu estava acompanhando, recebi a notícia de forma indireta. Eu conversei com o secretário [de Polícia Civil] Marcos Vinícius, fiz várias ligações para ele. Fiz várias ligações para o comandante [da Polícia Militar, Rogério] Figueiredo, até que eu pudesse fazer um juízo de convicção para o momento". Ambos os secretários estavam ao lado do governador na coletiva. (ANSA)(Com informações da Agência Brasil)

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