Governador substitui delegado que investigava brigadistas

Os quatro suspeitos tiveram soltura determinada nesta quinta

Incêndio em Alter do Chão, em Santarém
Incêndio em Alter do Chão, em Santarém (foto: Bruno Cecim/Futura Press)
20:24, 28 NovSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O governador do Pará, Helder Barbalho, determinou a substituição do delegado responsável pelo inquérito policial sobre as queimadas que atingiram a Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, em Santarém, no oeste do estado, em setembro deste ano.

Em um vídeo divulgado nesta quinta-feira (28), Barbalho explica que determinou a troca do delegado de Conflitos Agrários Fábio Amaral Barbosa pelo diretor da Delegacia Especializada em Meio Ambiente Waldir Freire Cardoso.

No vídeo, o governador alega estar preocupado com o episódio, que resultou na prisão preventiva de quatro brigadistas, que tiveram sua soltura determinada por um juiz nesta quinta.

Segundo a Polícia Civil, os dirigentes da ONG Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão são suspeitos de atear fogo na vegetação para se autopromover e, assim, obter donativos de outras organizações não governamentais para o combate às queimadas.

"Gostaria de dizer da minha preocupação com o episódio ocorrido em Santarém e que resultou na prisão de quatro pessoas. Por isso, determinei que houvesse a mudança do presidente do inquérito", declarou o governador.

"O caso requer atenção e toda a transparência necessária. Ninguém está acima da lei, mas, ao mesmo tempo, ninguém pode ser vítima de prejulgamento ou ter seu direito à defesa cerceado. A minha preocupação é com a Amazônia. É com o direito das pessoas. E, acima de tudo, que o Estado possa cumprir de maneira efetiva e transparente os interesses e a defesa da nossa sociedade", acrescentou Barbalho.

Questionamento

O Ministério Público Federal (MPF) em Santarém pediu à Justiça estadual e à Polícia Civil acesso integral aos procedimentos que apuram o suposto envolvimento dos quatro brigadistas com as queimadas.

Em nota divulgada à imprensa, o MPF explica que o objetivo da requisição é verificar se o caso é de competência estadual ou federal. Isso porque, além do inquérito instaurado pela Polícia Civil, há outro procedimento investigatório a cargo da Polícia Federal.

"Como supervisor do inquérito federal, o MPF é titular de eventual ação penal a ser ajuizada, caso as investigações apontem para um incêndio criminoso", explica a nota, acrescentando que, "por enquanto", não há nenhum indício contra os dirigentes da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão.

"Na investigação federal, em andamento desde setembro, nenhum elemento apontava para a participação de brigadistas ou organizações da sociedade civil", informa o MPF. Mais cedo, Michel Durans, um dos advogados dos brigadistas, concedeu entrevista à Rádio Nacional e desqualificou a investigação da Polícia Civil paraense.

"A acusação é infundada, uma vez que se baseia exclusivamente em interceptações telefônicas cujo teor a polícia interpretou fora do contexto geral. Para além disso, ela se valeu de algumas informações desencontradas em relação a um contrato que os brigadistas possuem com a WWF-Brasil", disse o advogado.

"As prisões prescindem de fundamentação. Além disso, os brigadistas não oferecem qualquer risco, não havendo necessidade de decretar as prisões preventivas", acrescentou Durans. (ANSA) Fonte: Agência Brasil

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