Bolsonaro é maior ameaça no combate à Covid-19, diz revista

Uma das maiores publicações científicas do mundo critica governo

Revista científica fez duras críticas à maneira que Bolsonaro está tratando a pandemia do novo coronavírus
Revista científica fez duras críticas à maneira que Bolsonaro está tratando a pandemia do novo coronavírus (foto: ANSA)
11:15, 08 MaiSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - Uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo, "The Lancet", publicou um editorial expressando preocupação com o avanço da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil e destacando que o papel "confuso" do presidente Jair Bolsonaro atrapalha o combate à doença.

"Grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro são os principais focos agora, mas há preocupações e sinais antecipados de que as infecções estão se movendo para dentro, para pequenas cidades com inadequados equipamentos de tratamento intensivo, leitos e ventiladores. Ainda assim, talvez a maior ameaça ao combate à Covid-19 no Brasil seja seu presidente, Jair Bolsonaro", diz a publicação intitulada de "Covid-19 no Brasil: 'E daí?'", citando a resposta do mandatário no dia em que o país atingiu cinco mil mortes.

"Ele não apenas continua a semear confusão ao desencorajar medidas sensatas de distanciamento social e lockdown tomadas por governadores e prefeitos, mas também perdeu dois ministros influentes nas últimas três semanas", cita o editorial falando das saídas do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e da pasta da Justiça Sérgio Moro.

O texto da "The Lancet" afirma que "tantos descompassos no coração da administração são uma distração fatal no meio de uma situação de emergência pública e um forte sinal de que a liderança no Brasil perdeu seu compasso moral, se é que já teve algum".

A revista destaca ainda a situação de "13 milhões de brasileiros que vivem em favelas, em locais com mais de três pessoas por cômodo e com baixo acesso à água limpa", o que por si só complica a situação do combate à doença nas regiões mais pobres.

Mas, elogiou algumas iniciativas dentro das comunidades, que "se organizaram por si mesmas para implementar as melhores medidas possíveis".

No entanto, a publicação destaca que há uma grande movimentação da comunidade científica brasileira, que se opõe a Bolsonaro nos últimos anos por conta dos cortes de verbas destinados à área, e que pede por um "Pacto pela Vida e pelo Brasil". A revista ainda elogia a rapidez com que as pesquisas são feitas no país para a "rápida produção de equipamentos de produção pessoal, respiradores e kits de testes".

"Essas são ações esperançosas. Ainda assim, uma liderança de alto nível do governo é crucial para uma rápida ação para evitar o pior cenário dessa pandemia, como foi evidenciado em outros países [...]. O Brasil como país deve se unir para dar uma resposta clara ao 'E daí?' do seu presidente. Ele precisa drasticamente mudar o rumo ou será o próximo a sair ", finaliza o texto.

Para embasar sua opinião, os especialistas usam um estudo do Imperial College de Londres, que aponta o Brasil como aquele com a maior taxa de transmissão do novo coronavírus entre 48 países: R0 de 2,81. O número significa que cada 10 brasileiros contaminam outras 28 pessoas.

A "The Lancet" ainda afirma que o país é o que causa mais preocupação na América Latina também porque há uma preocupante e substancial subnotificação.

Até esta quinta-feira (07), o Brasil já havia confirmado 9.146 vítimas do novo coronavírus e 135.106 contaminações. Há três dias seguidos, o país contabiliza mais de 600 mortes diárias - contando os testes do dia e aqueles que estavam aguardando a divulgação dos resultados. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA