Governo de São Paulo prorroga quarentena até 31 de maio

Anúncio de Doria cita 'pior momento da pandemia' no país

São Paulo manterá a quarentena até o fim do mês de maio (foto: EPA)
13:57, 08 MaiSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta sexta-feira (08) a prorrogação da quarentena no estado até o dia 31 de maio para combater o avanço da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2). A medida estava prevista, no decreto anterior, até a próxima segunda-feira (11).

Segundo Doria, não é possível fazer um afrouxamento das medidas por conta do risco do "colapso do sistema de saúde" e também porque parte da população parou de respeitar o isolamento social.

"O cenário é desolador. Teremos que prorrogar a quarentena até 31 de maio. A maioria dos outros países mostra que se não for feito, há o colapso do sistema de saúde - e quando isso acontece, tudo é paralisado", destacou o governador ressaltando que o "medo é o pior conselheiro" neste momento e que hoje o Brasil "é um país triste".

"O pior cenário é o que alia mortes e recessão. Adotar a quarentena como fizemos aqui não é uma tarefa fácil. Nenhum governante, nenhum cidadão, ninguém tem o prazer em dar más notícias. Mas, não se trata de ter ou não este sentimento, trata-se de proteger vidas. No momento mais difícil e mais crítico da história desse país, esse é o papel como governador que tenho a obrigação de fazer. Aqui não sou político, não ajo por instinto, ou por pressão. Aqui eu atuo para defender vidas. E assim continuarei a fazê-lo", disse ainda durante a coletiva de imprensa.

Citando os dados disponibilizados atualmente pela sua equipe do monitoramento da crise, Doria ressaltou que não é possível tomar medidas de reabertura porque "nenhum país do mundo relaxou medidas com a contaminação pelo vírus em alta".

Conforme o governo, por conta do "desrespeito da quarentena no estado", houve um aumento de 3.300% na quantidade de contaminações no interior do estado e uma alta de 770% na região metropolitana.

Os cálculos ainda mostram que 40 mil vidas foram poupadas por conta das medidas restritivas adotadas no estado desde o dia 13 de março, mas que os contágios estão em ritmo quatro vezes maior do que no início da pandemia. A taxa de ocupação de leitos nas unidades de terapia intensiva no estado está em 70% - índice que sobe para 90% na capital.

"Estamos todos atravessando o pior momento desta pandemia. Só não reconhece, só não vê aqueles que estão cegos pelo ódio ou pela ambição pessoal. Autorizar o relaxamento agora seria colocar em risco milhares de vidas, o sistema de saúde e, por óbvio, a recuperação econômica", afirmou ainda o governador.

Em uma mensagem de positividade, Doria disse que o momento atual "vai passar", mas que isso só vai ocorrer se todos reconhecerem a gravidade da situação e "o risco de vida que todos nós corremos".

Lembrando o Dia das Mães, que será celebrado no próximo domingo (10), o governador pediu que todos entendam o "momento triste" que o Brasil está passando e que essa será uma celebração diferente "de solidariedade, de vida e de oração".

O estado de São Paulo é o mais afetado pela pandemia da Covid-19. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados nesta quinta-feira (07), são 39.928 casos da doença e 3.206 mortes confirmadas. (ANSA)

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