Pandemia não está controlada no Brasil, diz estudo britânico

Imperial College diz que são necessárias mais ações contra vírus

Garota chora enquanto técnico remove corpo de vítima da Covid-19 em Manaus, em 7 de maio
Garota chora enquanto técnico remove corpo de vítima da Covid-19 em Manaus, em 7 de maio (foto: EPA)
14:43, 08 MaiSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Um estudo divulgado nesta sexta-feira (8) pelo Imperial College London, universidade britânica referência em medicina e ciência, aponta que a pandemia do novo coronavírus "ainda não está controlada" no Brasil e "continuará a crescer".

A análise é feita com base nos dados de 16 estados que já somam mais de 50 mortes pela Covid-19 (agora são 17), onde o Imperial College estima que a taxa de reprodução do vírus Sars-CoV-2 continue "acima de 1", ou seja, uma pessoa ainda contamina mais de um indivíduo.

"Um número de reprodução acima de 1 significa que a epidemia ainda não está controlada e vai continuar a crescer. Ainda que a epidemia brasileira seja relativamente incipiente em escala nacional, nossos resultados sugerem que são necessárias novas ações para limitar a disseminação e evitar a saturação do sistema de saúde", diz o estudo.

Segundo a universidade, essas tendências estão em "contraste gritante" com os números de países na Europa e na Ásia onde "medidas de isolamento reforçadas levaram a taxa de reprodução para abaixo de 1".

"É importante ressaltar que as intervenções empregadas até o momento permanecem aquém dos amplos e obrigatórios lockdowns implantados na Ásia e na Europa, que se mostraram altamente efetivos em conter a disseminação do vírus", afirma o Imperial College.

A universidade estima que, dos 16 estados analisados, o Pará tenha a taxa de reprodução do vírus mais elevada (1,90), seguido por Ceará (1,61), Amazonas (1,58), Espírito Santo (1,57) e Maranhão (1,55). São Paulo e Rio de Janeiro têm, respectivamente, índices de 1,47 e 1,44.

O estudo também calcula que 10,60% da população do Amazonas já tenha sido infectada, índice que é de 5,05% no Pará, de 4,46% no Ceará, de 3,35% no Rio de Janeiro e de 3,30% em São Paulo.

"Esses resultados ilustram que a proporção da população já infectada e potencialmente imune continua baixa", conclui o estudo - para se alcançar a chamada imunidade de rebanho, é necessário que pelo menos 70% das pessoas tenham sido infectadas.

O relatório também compara a situação do Brasil com a Itália, onde medidas mais restritivas foram mais eficazes na redução da taxa de reprodução do Sars-CoV-2 para abaixo de 1. "Na ausência de grandes intervenções adicionais, é esperado um aumento substancial da pandemia nos 16 estados analisados", ressalta o Imperial College.

A pesquisa analizou os números de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

 

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 135.106 casos confirmados do novo coronavírus e 9.146 óbitos. O presidente Jair Bolsonaro é contra as medidas de isolamento impostas por governadores e prefeitos, que, na maior parte dos casos, são menos rígidas do que as adotadas em outros países.

Na Itália, por exemplo, o governo proibiu deslocamentos intermunicipais e autorizou saídas de casa apenas em situações de emergência ou para comprar comida, sob pena de multa no caso de desrespeito das normas. (ANSA)

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