Vice-presidente Mourão diz que 'não há racismo' no Brasil

Político foi questionado sobre assassinato de homem negro no RS

Mourão fez declaração ao lamentar o assassinato de homem negro em supermercado
Mourão fez declaração ao lamentar o assassinato de homem negro em supermercado (foto: EPA)
17:30, 20 NovSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, afirmou nesta sexta-feira (20) que "não há racismo" no país. O comentário foi dado após o político lamentar o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, dentro de uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

"Lamentável, né? Lamentável isso aí. Isso é lamentável. Em princípio, é segurança totalmente despreparada para a atividade que ele tem que fazer", disse sobre o crime, cometido por dois seguranças que trabalhavam no supermercado.

"Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil. Isso não existe aqui", disse aos jornalistas, que pediram para Mourão se ele acreditava que tenha sido um crime cometido por racismo.

Ao ouvir a resposta, um dos repórteres faz a pergunta novamente "não há racismo no Brasil?", ao que o vice-presidente repete "Não, eu digo para você com toda a tranquilidade: não tem racismo aqui".

"Eu digo para vocês o seguinte porque eu morei nos Estados Unidos: racismo tem lá. Eu morei dois anos nos Estados Unidos e, na escola em que eu morei lá, o 'pessoal de cor' andava separado. Eu nunca tinha visto isso aqui no Brasil. Saí do Brasil, fui morar lá, era adolescente e fiquei impressionado com isso aí. [...]Isso é racismo. Aqui não existe isso. Aqui você pode pegar e dizer é o seguinte: existe desigualdade. Isso é uma coisa que existe no nosso país", acrescentou.

A fala de Mourão ocorre no Dia da Consciência Negra, instituído para provocar reflexões sobre o racismo estrutural no Brasil. A data escolhida lembra o assassinato de Zumbi, líder do quilombo dos Palmares.

São diversas as pesquisas nacionais que mostram a existência do racismo: segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, oito em cada 10 pessoas mortas pela polícia em 2019 eram negros. Já os trabalhadores negros recebem salários até 17% menores do que os brancos; as mulheres negras têm 64% mais risco de ser assassinadas do que as brancas. (ANSA).
   

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