Mais de 104 mi de latinos vivem em assentamentos informais

Dado foi divulgado pela organização internacional Teto

Mais de 104 mi de latinos vivem em assentamentos informais, como favelas
Mais de 104 mi de latinos vivem em assentamentos informais, como favelas (foto: EPA)
20:24, 10 OutSANTIAGO Margarita Bastías

(ANSA) - Mais de 104 milhões de latino-americanos moram em assentamentos informais urbanos, ou seja, favelas, acampamentos, cortiços ou prédios abandonados, e por isso vivem em condições de marginalidade e sem acesso a serviços básicos. 

 

A informação é do Teto, organização internacional presente na América Latina e Caribe que trabalha na defesa da população pobre do continente que vive em habitações informais.

 

Há poucos dias da 3ª Conferência sobre Habitação e Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a Habitat III, que acontecerá em Quito (Equador) de 17 a 20 de outubro, a ONG divulgou um documento sobre o assunto dando ênfase a seis países: Haiti, República Dominicana, Nicarágua, Peru, Uruguai e Chile.

 

Simultaneamente, junto a outras organizações e fundações, foi lançada uma petição através do site "Change.org" que exige dos mandatários latinos o compromisso e as soluções permanentes para os assentamentos informais.

 

 

Esses tipos de moradia "não estão nas cifras oficiais; se desconhece o território e sem essa informação não se podem tomar decisões de políticas públicas", disse o diretor de áreas sociais do Teto Internacional, Juan Pablo Duhalde, em entrevista à ANSA.

 

O sociólogo, cuja organização trabalha em 19 países da continente com jovens voluntários, explicou que o principal objetivo deste documento é "colocar o tema [dos assentamentos] na agenda pública e fazer com que a sociedade e os governos os conheçam até a sua dimensão humana, escutando a história dos que ali vivem".

 

"Para fazer a diferença, o Habitat III deve visibilizar a realidade desigual das cidades e lembrar de reverter as causas que a produzem. Esse é um chamado à urgência de mudar essa realidade desigual, mas também à necessidade e ao dever de fazer isso junto a quem integra as comunidades que estão em situação de pobreza", ressaltou Duhalde.

 

Além disso, o profissional também disse que os assentamentos informais são a mais clara manifestação de desigualdade. Nesses países, "encontra-se a população que, com a impossibilidade de comprar o seu lugar em uma cidade formal, se vê obrigada a viver em cortiços, favelas, acampamentos ou casebres com ausência ou acesso irregular de serviços como luz e saneamento básico", destacou Duhalde.

 

Já a socióloga Maria Jesús Silva, diretora do Centro de Investigação Social do Teto e coordenadora geral do estudo, afirmou que o documento do Teto "busca mostrar como é viver em assentamentos".

 

O estudo concluiu que, mesmo com a desconfiança que possa existir entre vizinhos das mesmas habitações, os esforços das comunidades se concentram na obtenção de serviços básicos, fundamentalmente água e energia elétrica, no condicionamento do solo onde vivem e na realização do trabalho comunitário para a concretização dos mais variados projetos.

 

Com a ausência dos Estados, "a transformação do território com as próprias mãos para satisfazer as suas necessidades primárias acaba se tornando a única opção", revelou o documento.

 

Sobre isso, se manifestaram habitantes de várias favelas, acampamentos e cortiços da América Latina. Yajaira Rosario, moradora do bairro El Progresso, na República Dominicana, disse ao Teto que "a comunidade é como uma família" já que seus habitantes têm que "lutar juntos" pelo o que é deles.

 

Já José García, do assentamento La Unión, em Nicarágua, contou que viver na região "não era fácil, por que não havia energia e nem água". "Alimentávamos os três bairros a partir de um poço, fazia-se fila dia e noite e a água era transportada com baldes", afirmou o nicaraguense.

 

"Eu fui para o acampamento por que o aluguel estava muito caro e eu não podia pagar tanto. Eu vim [para cá] com o meu parceiro e depois veio minha filha", explicou Betzabé Toro, na comunidade de San Francisco, na cidade chilena de Santiago. (ANSA)

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