Após 26 mortes, Papa pede fim de violência na Nicarágua

Atos contra reforma da previdência acabaram em confrontos

Protesto contra reforma previdenciária na Nicarágua (foto: EPA)
19:53, 22 AbrCIDADE DO VATICANO ZLR

(ANSA) - O papa Francisco pediu neste domingo (22) o fim da violência na Nicarágua, após mais de 20 pessoas terem morrido em uma onda de protestos contra a reforma previdenciária proposta pelo governo do presidente Daniel Ortega.

"Estou preocupado pelo que tem ocorrido nos últimos dias na Nicarágua, onde, após protestos sociais, se verificaram confrontos que causaram algumas vítimas. Exprimo minha proximidade na oração àquele amado país e me uno aos bispos ao pedir que se interrompa toda a violência e se evite um inútil derramamento de sangue", afirmou o primeiro pontífice latino-americano.

Além disso, Jorge Bergoglio cobrou que as "questões abertas" sejam resolvidas "pacificamente e com senso de responsabilidade". Segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), ao menos 26 pessoas morreram nos protestos até o último sábado (21), todas atingidas por armas de fogo durante confrontos com as forças de segurança.

Em meio à crise, Ortega anunciou neste domingo a retirada do projeto. Ele também justificou a repressão com o argumento de que os manifestantes - em sua maioria estudantes universitários - estavam sendo manipulados por uma "minoria" e infiltrados por "grupos criminosos".

Os confrontos começaram na última quarta-feira (18), na capital Manágua, mas logo se espalharam para outras partes do país. O projeto de Ortega previa cortes em aposentadorias e benefícios médicos e aumentava a contribuição das empresas.

Segundo o governo, o objetivo era "garantir a seguridade social para a população menos favorecida". O setor privado havia convocado uma grande "marcha pela paz" para esta segunda-feira (23) e cobrava das autoridades o respeito ao direito de manifestação.

O sandinista Ortega está em seu quarto mandato como presidente, sendo o terceiro seguido, e governa a Nicarágua ininterruptamente desde 2007. (ANSA)

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