Número de mortos em protestos na Nicarágua passa de 60

Bispos convocaram marcha contra violência para este sábado

Estudante protesta em Manágua, capital da Nicarágua
Estudante protesta em Manágua, capital da Nicarágua (foto: EPA)
21:41, 27 AbrMANÁGUA ZLR

(ANSA) - Subiu para 63 o número de mortos na repressão do governo às manifestações estudantis e da oposição iniciadas há cerca de 10 dias na Nicarágua. O balanço é de três entidades de direitos humanos do país centro-americano e também aponta pelo menos 15 desaparecidos.

A Comissão Permanente de Direitos Humanos (CPDH) contabilizou 39 vítimas apenas na capial Manágua, enquanto o Centro Nicaraguense para os Direitos Humanos (Cenidh) e a Associação Nicaraguense para os Direitos Humanos (ANPDH) somaram mais 24 mortos no restante do país, totalizando 63 pessoas, incluindo dois policiais e um jornalista.

Os confrontos começaram no último dia 18 de abril, por causa de uma reforma previdenciária apresentada pelo presidente Daniel Ortega, ex-guerrilheiro sandinista que governa a Nicarágua desde 2007. Pressionado, o governo retirou o projeto, que previa cortes em aposentadorias e o aumento das contribuições das empresas.

No entanto, a violenta repressão manteve a mobilização popular, que deve ganhar corpo com uma marcha convocada pela conferência episcopal local para este sábado (28). A Igreja Católica nicaraguense se ofereceu para mediar os diálogos entre governo e oposição, mas, até agora, não houve avanços.

"Se a Igreja não encontrar boa fé nas partes, então nos retiraremos como mediadores", afirmou o bispo de Matagalpa, Rolando Álvarez. O próprio papa Francisco chegou a pedir publicamente o fim do "derramamento de sangue" na Nicarágua.

O Ministério Público anunciou que pretende investigar as mortes de manifestantes durante os protestos, mas o governo ainda não forneceu sequer uma lista oficial de vítimas. (ANSA)

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