Diálogo começa na Nicarágua com Ortega sob pressão

Estudantes, camponeses e Igreja se uniram contra o presidente

Presidente Daniel Ortega fala durante primeiro dia de diálogo na Nicarágua
Presidente Daniel Ortega fala durante primeiro dia de diálogo na Nicarágua (foto: EPA)
18:22, 16 MaiMANÁGUA ZLR

(ANSA) - Começou nesta quarta-feira (16), em Manágua, o "diálogo nacional" proposto pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e mediado pela Igreja Católica.

A abertura de negociações com a oposição se segue a três semanas de protestos contra o regime sandinista, cuja repressão deixou cerca de 50 mortos.

Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, chegaram ao Seminário Nacional de Fátima, em Manágua, escoltados por um forte esquema policial e foram recebidos aos gritos de "assassinos" por manifestantes.

As forças de segurança montaram um vasto perímetro de bloqueio ao redor do edifício, tensão que ficou evidente também no início das conversas. Antes que Ortega tivesse a palavra, a delegação do movimento estudantil repetiu a frase "não eram delinquentes, eram estudantes", em referência às vítimas da repressão.

Um jovem pediu que o presidente ordene "imediatamente" o fim da violência policial contra os manifestantes. A cobrança encontrou eco nos representantes da Igreja. "Não é uma condição, é uma exigência: o senhor deve colocar a polícia nos quartéis", disse o bispo de Estelí, Abelardo Mata.

Medardo Mairena, líder dos camponeses que bloquearam estradas nos protestos, também apontou diretamente contra Ortega. "Nós somos os camponeses que saíram às ruas, com o restante dos cidadãos, e representamos o povo da Nicarágua, que diz que você deve ir embora", afirmou.

O presidente manteve a postura negacionista e declarou que a verdadeira vítima é a "polícia" e que as forças de ordem não receberam comandos para disparar". Além disso, chamou de "grupos paramilitares" os estudantes que ocupam a sede da Universidade Politécnica de Manágua (Upoli).

"Não há um só desaparecido ou prisioneiro político", reforçou Ortega, ao que os estudantes responderam com uma lista de jovens mortos nas manifestações. Cada integrante da relação era saudado aos gritos de "presente!".

Os protestos na Nicarágua foram desencadeados por uma proposta de Ortega para reformar a previdência. Após o governo desistir do projeto, o foco passou a ser a repressão contra os atos. O ex-guerrilheiro sandinista está em seu quarto mandato como presidente, sendo o terceiro seguido, e governa a Nicarágua ininterruptamente desde 2007. (ANSA)

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