Polícia prende suspeito de matar brasileira na Nicarágua

Raynéia Gabrielle Lima foi assassinada na última segunda (23)

Estudantes da Universidade Americana de Manágua (UAM) fazem tributo a Raynéia Gabrielle Lima, assassinada em 23 de julho
Estudantes da Universidade Americana de Manágua (UAM) fazem tributo a Raynéia Gabrielle Lima, assassinada em 23 de julho (foto: EPA)
14:14, 28 JulSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - A Polícia da Nicarágua informou nesta sexta-feira (27) que prendeu Pierson Gutiérrez Solis, de 42 anos, suspeito de ter assassinado a estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima.

Segundo nota divulgada pela corporação, Solis tinha uma carabina M4, a mesma arma de guerra que teria sido disparada na segunda-feira (23) à noite contra a pernambucana de 31 anos. Em comunicado anterior, a polícia havia dito que o crime teria sido cometido por um guarda de segurança privada, mas não fez relação com o atual suspeito.

No entanto, a versão da polícia é contestada pelo reitor da Universidade Americana de Manágua (UAM), Ernesto Medina, onde ela cursava o sexto ano de medicina. Segundo Medina, as autoridades nicaraguenses estão encobrindo um crime cometido por paramilitares, simpatizantes do governo do presidente Daniel Ortega.

A morte de Raynéia ocorre em meio à maior onda de violência no país desde o fim da guerra civil, em 1990. Segundo a Associação Nicaraguense pelos Direitos Humanos, 448 pessoas morreram em 100 dias de protestos contra o governo.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que tem equipes no país investigando as denúncias, acusou a polícia e grupos paramilitares de usarem força letal para reprimir os manifestantes - muitos deles jovens estudantes que ocuparam universidades e ergueram barricadas. "Atiram para matar", disse o secretário-executivo da CIDH, entidade ligada a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Segundo Medina, Raynéia estava voltando para casa com o namorado, em carros separados, no bairro de Lomas de Monserrat - onde vivem altos funcionários do governo. "Apareceram três homens encapuzados, com fuzis de guerra, que fizeram sinal de alto. Ela continuou dirigindo e atiraram nela", contou o reitor.

O namorado, que vinha atrás, saiu do veículo dele com as mãos levantadas e levou Raynéia até o Hospital Militar. "Por coincidência, estavam de plantão três estudantes de medicina da nossa universidade, companheiros de Raynéia", disse Medina. "Ela lutou horas para viver, mas não sobreviveu ao disparo, feito com uma arma de alto calibre", disse Medina.

Raynéia morreu um dia depois de o presidente Daniel Ortega conceder uma entrevista exclusiva à cadeia de televisão norte-americana Fox News, afirmando que concluirá seu terceiro mandato consecutivo em 2021 e que não tem ligações com grupos paramilitares, responsabilizados por centenas de mortes.

No mesmo dia em que Raynéia foi assassinada, policiais e paramilitares entraram na cidade de Jinotega - a 242 quilômetros da capital Manágua - e mataram três pessoas. (ANSA)

Fonte: Agência Brasil

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