Traslado de brasileira morta na Nicarágua aguarda documentos

Raynéia Gabrielle Lima teria sido assassinada por paramilitares

08:08, 31 JulSÃO PAULO ZLR
(ANSA) - O corpo da estudante de medicina Raynéia Gabrielle Lima, de 30 anos, assassinada a tiros na semana passada, em Manágua, na Nicarágua, já foi embalsamado e aguarda a liberação de documentos para retornar a Recife, onde mora sua família.
    Conforme os trâmites legais previstos, o corpo só pode embarcar com uma certidão de óbito da vigilância sanitária, emitida pela Prefeitura de Manágua, e autorização do Ministério da Saúde da Nicarágua. As informações são da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) de Pernambuco, responsável pelo traslado.
    A SJDH informou também que a obtenção dos documentos está sendo mediada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), com o acompanhamento do governo de Pernambuco.
    "Todos os encaminhamentos possíveis já foram dados, independentemente da transação financeira, inclusive com o apoio constante da casa funerária e da companhia aérea que fará o translado", diz nota divulgada pela SJDH.
    A estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima foi morta na noite de 23 de julho, com um tiro no peito que, segundo o reitor da Universidade Americana de Manágua (UAM), Ernesto Medina, foi disparado por um "um grupo de paramilitares" no sul da capital.
    A Nicarágua vive uma crise sociopolítica com manifestações que se intensificaram desde abril, contra o presidente Daniel Ortega, que se mantém há 11 anos no poder em meio a acusações de abuso e corrupção. A repressão aos protestos populares já deixou entre 277 e 351 mortos, de acordo com organizações humanitárias locais e internacionais.
    O assassinato da estudante brasileira ocorreu horas depois de Medina participar de um fórum no qual disse que o crescimento econômico e a segurança na Nicarágua antes da explosão dos protestos contra Ortega em abril "era parte de uma farsa" porque "nunca houve um plano que acabasse com a pobreza e a injustiça".
    O governo Ortega foi acusado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) pelos assassinatos, maus tratos, possíveis atos de tortura e prisões arbitrárias ocorridos em território nicareguense. (ANSA) Fonte: Agência Brasil

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