América Latina subestimou desigualdade, diz Cepal

Região registrou protestos em vários países nos últimos meses

Protesto contra o governo e a desigualdade social no Chile
Protesto contra o governo e a desigualdade social no Chile (foto: ANSA)
18:40, 29 NovSANTIAGO ZLR

(ANSA) - A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgou nesta quinta-feira (28) um relatório que afirma que a região "subestimou" a desigualdade social e econômica e o mal-estar popular, observado em protestos em países como o Chile.

"Por quase uma década, a Cepal colocou a igualdade como fundamento do desenvolvimento. Hoje constatamos novamente a urgência de avançar na construção de Estados de bem-estar baseados em direitos e na igualdade, que outorguem aos cidadãos acesso a sistemas universais de proteção social e a bens públicos essenciais, como saúde, educação de qualidade, habitação e transporte", diz o documento.

Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal, acrescentou que a desigualdade na região é "estrutural" e se baseia em uma "matriz produtiva altamente heterogênea e em uma cultura do privilégio, palavra-chave para se entender o profundo descontentamento" popular.

Segundo ela, a redução da pobreza deu origem a um extrato médio que sofre com a "alta vulnerabilidade" e trabalhos precários. "Quando medimos a desigualdade, não captamos o 1% mais rico, então subestimamos a desigualdade na América Latina", ressaltou.

Bárcena ainda declarou que a cultura do privilégio "naturaliza" a desigualdade e a discriminação. De acordo com o relatório, 76,8% da população da região tem renda baixa ou média-baixa. Apesar disso, entre 2002 e 2017, a população de baixa renda caiu de 70,9% para 55,9%, enquanto o chamado extrato médio (incluindo médio-baixo) saltou de 26,9% para 41,1%.

Já os ricos passaram de 2,2% a 3% do total nesse período. Em números absolutos, a América Latina e o Caribe tinham 185 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza em 2018, sendo 66 milhões em pobreza extrema. (ANSA)

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