Chile aponta 158 investigados na Igreja por abusos sexuais

Entre as 266 vítimas, ao menos 178 eram menores de idade

Coletiva de imprensa da Conferência Episcopal do Chile, em 23 de julho
Coletiva de imprensa da Conferência Episcopal do Chile, em 23 de julho (foto: EPA)
17:33, 24 JulSANTIAGO ZLR

(ANSA) - O Ministério Público do Chile anunciou na última segunda-feira (23) que 158 pessoas ligadas à Igreja Católica foram ou estão sendo investigadas desde 1960 por crimes de abusos sexuais.

Um relatório divulgado pelo órgão contabiliza ao menos 266 vítimas, incluindo 178 menores de idade. Nos últimos 58 anos, foram abertos 144 inquéritos por abusos na Igreja, contra 158 pessoas, incluindo 74 bispos, padres e diáconos e 65 integrantes de congregações, dentre os quais 16 salesianos e 15 maristas.

As investigações também envolvem 10 laicos de paróquias, colégios ou órgãos pastorais e nove pessoas ligadas a instituições eclesiásticas, mas cujas funções não puderam ser determinadas.

"Em sua grande maioria, os fatos denunciados correspondem a delitos sexuais cometidos por sacerdotes, padres ou pessoas vinculadas a estabelecimentos educacionais. Também existem cinco casos por acobertamento ou obstrução de investigação contra superiores ou bispos", diz o relatório.

Além dos 178 menores de idade, há 31 vítimas adultas e 57 sem grupo etário identificado, já que são casos anteriores à reforma penal de 2000. Do total de investigações, 34 ainda estão abertas, e apenas 23 tiveram sentenças condenatórias.

Escândalo

Em meados de julho, um padre foi preso sob a acusação de pedofilia, no âmbito de um inquérito que investiga outros 14 prelados suspeitos de criarem uma rede de abusos na diocese de Rancagua, no sul do país.

Óscar Muñoz Toledo, ex-reitor da Arquidiocese de Santiago, é acusado de assédio e violência sexual contra pelo menos sete menores de idade entre 11 e 17 anos, incluindo parentes seus. Os casos teriam ocorrido em 2002.

O padre de 56 anos é o primeiro sacerdote católico preso desde março passado, quando um relatório ordenado pelo papa Francisco desvendou a real extensão do escândalo de pedofilia no Chile, que provocou a renúncia de todo o episcopado local.

Os investigadores dizem que Rancagua abrigava uma "fraternidade" de padres abusadores, descoberta por uma jornalista que fingira ser menor de idade e fora aliciada online por um prelado. A Justiça chilena já pediu que o Vaticano entregue toda a informação disponível sobre o caso e apreendeu documentos nas dioceses de Santiago e Rancagua, uma ação sem precedentes na nação latina.

Até o momento, Francisco aceitou as renúncias de cinco bispos chilenos, incluindo o de Osorno, Juan Barros, acusado de encobrir os abusos cometidos pelo padre Fernando Karadima, seu mentor e já condenado pelo próprio Vaticano. (ANSA)

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