Em meio a protestos, Bachelet enviará missão da ONU ao Chile

País tem sido palco de protestos contra aumento de taxa de metrô

Em meio a protestos, Bachelet enviará missão da ONU ao Chile (foto: EPA)
19:54, 25 OutSANTIAGO DO CHILE ZCC

(ANSA) - A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, anunciou nesta sexta-feira (25) que enviará uma missão ao Chile para acompanhar a crise deflagrada no país em meio a uma onda de protestos.

Segundo a porta-voz da ONU, Ravina Shamdasani, três representantes se deslocarão ao território chileno após um pedido feito por um grupo de parlamentares da oposição e pelo presidente Sebastián Piñera.

"Depois de monitorar a crise desde o início, decidi enviar uma missão de verificação para examinar as queixas de violações dos direitos humanos no Chile", afirmou a ex-presidente do Chile em comunicado.

Ontem (24), o país viveu mais um dia de protestos. Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas do centro da capital Santiago e deram início a uma mobilização convocada por sindicatos e organizações sociais.

Os atos tiveram início depois que o governo chileno anunciou o aumento do preço nas passagens de metrô em Santiago e em decorrência da desigualdade social, que se reflete sobretudo nos aposentados, mas agora exigem também a retirada das Forças Armadas das ruas.

Além disso, diversas pessoas pedem a renúncia de Piñera, mesmo depois de divulgar uma série de medidas sociais para acalmar a insatisfação da população.

"Estamos trabalhando em um plano para normalizar a vida do nosso país para poder terminar com o toque de recolher e, com sorte, também poderemos suspender o estado de emergência", disse o presidente.

Os manifestantes reivindicam políticas sociais, sobretudo na área da saúde e educação, em uma das economias mais estáveis, mas desiguais da América Latina.

Um relatório divulgado pelo Instituto Nacional de Direitos Humanos (NHRI) revelou que 535 pessoas ficaram feridas e 2410 foram detidas durante os atos. Até o momento, 19 mortes foram registradas.

As organizações humanitárias, no entanto, denunciaram a falta de transferência do governo ao divulgar os números da repressão após o confrontos, que provocaram toque de recolher e estado de emergência.

De acordo com as ONGs, o Ministério do Interior tem divulgado um balanço diferente do produzido pelo NHRI. O Ministério Público, por outro lado, tem informado outros dados, o que impede uma definição clara do número de detidos, feridos e mortos.

Nesta sexta-feira (25), as manifestações ganharam mais adesão e as ruas das principais cidades chilenas foram tomadas por uma multidão. As autoridades relataram que pelo menos 68 concentrações foram registradas em todo o país.

Diversas caravanas de caminhões bloquearam rodovias para protestar contra a cobrança de pedágios em estradas. Já as linhas de metrô estão operando parcialmente. 

Congresso -

Um grupo de manifestantes tentou invadir o Congresso Nacional do Chile na tarde desta sexta-feira (25), mas foi barrado pela polícia local, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água.

Segundo as autoridades locais, o prédio precisou ser evacuado e todas as atividades legislativas foram suspensas.

Mais de 800 mil chilenos estão reunidos na praça Itália, no centro da capital. Até o momento, o ato acontece de forma pacífica em várias regiões do país, que ainda permanece sob toque de recolher e estado de emergência. (ANSA)

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