Santos pede desculpas por 'caso Odebrecht' na Colômbia

Campanha de Santos em 2010 recebeu dinheiro de suborno

Santos pede desculpas por 'caso Odebrecht' na Colômbia
Santos pede desculpas por 'caso Odebrecht' na Colômbia (foto: ANSA)
15:34, 15 MarBOGOTÁ ZGT

(ANSA) - O presidente da Colômbia e Nobel da Paz, Juan Manuel Santos, lamentou e condenou o uso de dinheiro proveniente de suborno da construtora brasileira Odebrecht em sua campanha presidencial de 2010.

"Perante à revelação de que houve recursos não registrados em minha campanha de 2010, quero expressar minha mais absoluta rejeição e condenação sobre este caso. Lamento profundamente e peço desculpas aos colombianos por esse fato vergonhoso que nunca deveria ter acontecido e que acabo de ser informado", disse em pronunciamento nesta terça-feira (14).

Em seu discurso, Santos afirmou que "não autorizei e não tinha conhecimento desses procedimentos, que violam diretamente as normas éticas e de controle que exigi em minha campanha". No entanto, ele ressaltou que isso não "pode causar a suposição de que houve atos de corrupção em seu governo".

Poucas horas antes da fala do mandatário, o gerente da campanha presidencial Santos 2010 e de sua reeleição em 2014, Roberto Prieto, admitiu em uma entrevista à "Blu Radio" que recebeu cerca de US$ 400 mil da Odebrecht.

Prieto reconheceu que foi ele quem ordenou o recolhimento de dinheiro com a construtora brasileira e que isso "foi uma operação irregular que o presidente não teve nada a ver".

Em delação no Brasil, a Odebrecht reconheceu que pagou propina em 12 países e que, na Colômbia, teriam sido pagos cerca de US$ 11 milhões em subornos entre os anos de 2009 e 2014. Até o momento, o ex-parlamentar Otto Bula e o ex-vice-ministro de Transporte Gabriel García Morales, que atuava no governo de Alvaro Uribe, foram presos pelo "caso Odebrecht".

FARC nega ter recebido dinheiro de propina

Além das questões envolvendo o governo colombiano, quem também foi acusada de receber propina da construtora brasileira foram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). No entanto, o grupo que acabou de fechar um acordo de paz, negou as acusações.

"A mesma empresa esclareceu que nenhuma das situações citadas aconteceu. Em suma, não temos conhecimento de que a insurgência das Farc tenha recebido financiamento da empresa Odebrecht", informou Pastor Alape, um dos chefes da organização em Bogotá. (ANSA)

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