Armas das Farc viram obra de arte na Colômbia

"Fragmentos" foi construída por vítimas do conflito armado

Galeria terá entrada gratuita.
Galeria terá entrada gratuita. (foto: Ansa)
17:30, 11 DezBOGOTA ZFD

(ANSA) - As armas utilizadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entregues ao governo após o acordo de paz assinado em 2017, foram transformadas em obra de arte pela artista plástica colombiana Doris Salcedo, que construiu um piso metálico feito a partir da fusão dos materiais que compunham os armamentos. As lâminas foram instaladas por vítimas do conflito em uma casa abandonada no centro de Bogotá, que virou uma galeria de arte a partir desta terça-feira (11).

"Preferi não construir um monumento porque como o nome indica, um monumento é monumental: hierarquiza e apresenta uma visão triunfalista do passado bélico de uma nação. Sua principal função é submeter-nos ou apequenar-nos como indivíduos frente a uma versão grandiosa e totalitária da história", declarou a artista, no discurso de inauguração.

O lugar conserva antigas paredes desgastadas, que evidenciam um passado cruel e decadente e dão ao local uma sensação de destruição. Todos anos até que se complete o tempo que durou a guerra interna (53 anos), as pessoas que visitem o local passarão pelo piso cinza e irregular, trabalhado por cerca de 20 mulheres que foram vítimas de violência sexual durante o conflito armado. Elas martelaram uma a uma as lâminas que formam a obra, em uma representação da dor, impotência e raiva causadas pela guerra em suas vidas. A galeria receberá exposições de jovens artistas colombianos e terá acesso gratuito.

Essa é o primeira de três obras de arte (as outras estão em Havana, em Cuba, e na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York) feitas a partir da fundição de 8.112 armas e 1,3 milhões de cartuchos de munição que as Farc entregaram anos após a assinatura do tratado de paz com o governo colombiano.

"A arte não pode compensar com beleza os horrores causados pela guerra e, por essa razão, 'Fragmentos' não tenta dar uma forma estética à perdas e aos danos de uma morte violenta", disse a autora. (ANSA)

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