Atraso em apuração no Equador gera incerteza e críticas

Candidato governista lidera eleição, mas sem vencer no 1º turno

Equatorianos protestam contra eventuais fraudes em eleições (foto: EPA)
07:59, 22 FevBOGOTÁ ZLR

(ANSA) - O atraso na apuração dos votos das eleições presidenciais no Equador, cujo resultado definitivo só deve ser conhecido na próxima quinta-feira (23), instaurou um clima de incerteza no país e provocou críticas do candidato opositor Guillermo Lasso.

Com 97% das urnas escrutinadas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o governista Lenín Moreno, apoiado pelo presidente Rafael Correa, aparece com 39,32% dos votos, enquanto o banqueiro Lasso está na segunda posição, com 28,22%. Se ultrapassar os 40% e mantiver ao menos 10 pontos de vantagem sobre o rival, Moreno será eleito em primeiro turno.

"Isso cheira mal. Como podem demorar três dias para apurar 12%?", questionou o opositor na noite da última segunda-feira (20), quando a apuração ainda estava em 88% e após o CNE ter anunciado que o resultado definitivo só seria divulgado dentro de três dias.

No entanto, de acordo com o presidente do órgão, Juan Pablo Pozo, já é possível garantir que a disputa irá para o segundo turno. Ele disse que há uma "tendência consolidada" e que "não pode mais mudar". Para justificar o atraso, Pozo mencionou "dificuldades" na transmissão de dados e problemas causados por "votos inválidos".

Já Moreno dissera inicialmente estar seguro de que superaria a barreira de 40% dos votos, mas depois passou a admitir a possibilidade de adiar uma eventual vitória.

"Vejo que existe uma projeção que nos daria 40%, mas se isso não acontecer, continuarei minha campanha", afirmou o candidato ao canal de televisão "Telesur". Em seu perfil no Twitter, Correa pediu para seus apoiadores se prepararem para uma "campanha suja". "A melhor resposta será a vitória", garantiu.

Além de um teste para o presidente, que chegou a flertar com a hipótese de um quarto mandato, as eleições no Equador são acompanhadas com atenção pela esquerda latino-americana, que viu o subcontinente enfrentar uma guinada conservadora nos últimos anos, principalmente no Brasil, na Argentina e na Venezuela. (ANSA)

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