Presidente do Equador decreta estado de exceção por 60 dias

Medida é reação a protestos contra alta dos combustíveis

Protestos contra medidas do governo em Quito, no Equador
Protestos contra medidas do governo em Quito, no Equador (foto: EPA)
08:52, 04 OutQUITO ZLR

(ANSA) - O presidente do Equador, Lenín Moreno, decretou nesta quinta-feira (3) estado de exceção em todo o país, em função dos protestos populares contra medidas econômicas adotadas pelo governo.

Com isso, o mandatário passa a ter o direito de colocar as Forças Armadas nas ruas, fechar portos, aeroportos e passagens de fronteira a qualquer momento, transferir a sede do governo a qualquer parte do país e fazer censura prévia nos meios de comunicação, desde que os assuntos tenham relação estrita com a segurança do Estado.

"Decretei estado de exceção para garantir a ordem, a segurança cidadã e para controlar aqueles que pretendem provocar o caos. Não aceitaremos chantagens e atuaremos de acordo com a lei", disse Moreno no Twitter.

O presidente ainda insistiu que não há possibilidade de reverter as medidas econômicas do governo, inclusive aquela que revogou subsídios aos combustíveis, cujo preço disparou nos últimos dias. "Elas estavam causando muitos danos ao país, distorcendo a economia", alegou.

Já a ministra de Governo, María Paula Romo, informou que o estado de exceção durará 60 dias. "É desejo do presidente e de todos os equatorianos recuperar a calma o quanto antes", garantiu. A decisão foi tomada após uma greve nacional de categorias ligadas ao setor de transporte contra o fim dos subsídios públicos aos combustíveis, deixando o país paralisado.

Durante a greve, foram registrados confrontos entre estudantes e policiais. Já no centro de Quito, as forças de segurança agrediram jornalistas que cobriam a manifestação. Moreno também anunciou medidas para flexibilizar as leis trabalhistas e reduzir benefícios, como a diminuição de 30 para 15 dias nas férias de funcionários públicos.

Ele está no poder desde maio de 2017 e também foi vice-presidente de seu antecessor, Rafael Correa, mas acabou rompendo com o ex-mandatário. (ANSA)

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