EUA e México falam em 'passos importantes' sobre imigração

Chefes da política externa dos dois países se reuniram

Protesto contra visita do secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, ao México
Protesto contra visita do secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, ao México (foto: EPA)
19:41, 23 FevCIDADE DO MÉXICO ZLR

(ANSA) - Em meio à polêmica sobre a construção de um muro na fronteira entre México e Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores do país latino, Luis Videgaray, afirmou nesta quinta-feira (23) que foram dados "passos importantes" na questão da imigração.

A declaração foi dita após um encontro com os secretários norte-americanos de Estado, Rex Tillerson, e Segurança Nacional, John Kelly, na Cidade do México. Essa foi a primeira reunião envolvendo o alto escalão das duas nações após o presidente Donald Trump ter assinado o decreto ordenando a edificação da barreira.

"Foram dados passos importantes na direção certa", disse Videgaray, sem especificar quais avanços seriam esses. Já Tillerson ressaltou que o encontro foi "muito produtivo". "É normal que dois países às vezes tenham posições diferentes", acrescentou.

No entanto, o próprio chanceler mexicano deixou claro que o caminho para um acordo com os EUA sobre a questão migratória ainda é longo. "Não são possíveis decisões unilaterais por parte dos Estados Unidos", salientou.

Já Kelly prometeu a Videgaray que Washington não promoverá "expulsões em massa" de imigrantes e que a política do país de combate aos clandestinos não envolverá as Forças Armadas.

Recentemente, o governo Trump contratou 15 mil agentes para atuar contra a imigração ilegal e autorizou a deportação de estrangeiros sem documentos que estejam sendo julgados por algum crime - até então, só eram expulsos aqueles com alguma condenação.

O objetivo do republicano é deportar 11 milhões de clandestinos, incluindo 3 milhões que teriam antecedentes criminais. Mas a principal medida de seu plano anti-imigração é a construção de um muro de pelo menos US$ 15 bilhões na fronteira com o México, obra que Trump pretende cobrar do país vizinho.

Para financiar o projeto, o presidente estuda aumentar a taxação sobre produtos mexicanos. Essa postura, além das divergências em relação ao Nafta, abalaram as relações diplomáticas entre os dois países. O próprio mandatário dos EUA afirmou que a viagem de Tillerson ao México seria "difícil". (ANSA)

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