Odebrecht e OAS vão depor sobre esquemas no México e Peru

Empreiteiras pagaram suborno para ter acesso a obras nos países

10:57, 15 MaiSÃO PAULO ZBF

(ANSA) - Os empresários Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, e Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, passaram a ser questionados pelas autoridades sobre esquemas de corrupção na América Latina, além das denúncias no Brasil.

O Ministério Público Federal irá ouvir os executivos hoje sobre o envolvimento de suas empresas em esquemas de corrupção no Peru, atendendo a um pedido de cooperação das autoridades de Lima. Já Marcelo Odebrecht será ouvido na quinta-feira, em um acordo de cooperação com o México.

Segundo os procuradores estrangeiros, a medida inaugura uma fase inédita de apoio intenso entre o Brasil e países vizinhos sobre o papel das construtoras brasileiras nos esquemas políticos da região.

A Odebrecht desembolsou em obras no Peru US$ 29 milhões em propinas entre 2005 e 2014. A empreiteira reconheceu o pagamento de subornos milionários a políticos e funcionários em troca de licitações. O caso também coloca sob investigação os governos do ex-presidente Alejandro Toledo, de Alan García e Ollanta Humala.

Marcelo Odebrecht já revelou, em delação premiada, que o setor de Operações Estruturadas da empreiteira, responsável pelo pagamento de proprinas, pagou US$ 3 milhões para a campanha que elegeu Humala presidente do Peru, em 2010. O pagamento à campanha do líder do Partido Nacionalista peruano foi intermediado pelo ex-ministro Antônio Palocci, preso por decisão do juiz federal Sérgio Moro.

Recentemente, o atual presidente do Peru, Pedro Paulo Kuczynski, admitiu em entrevista que que a economia nacional deverá sofrer forte impacto devido à paralisação de projetos da Odebrecht no país. No que diz respeito ao México, Marcelo Odebrecht será ouvido novamente para dar mais informações sobre sua delação.

Em depoimento, um nome revelado pelo réu foi o de Emilio Lozoya, que teria recebido US$ 5 milhões quando era presidente da estatal de petróleo do México, a Pemex, como recompensa a benefícios indevidos cedidos a Odebrecht. (ANSA)

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