Reforma fiscal de Trump pode causar fuga de US$ 9 bilhões do México

Especialistas estimam saídas bilionárias do país

Reforma fiscal de Trump pode causar fuga de US$ 9 bilhões do México
Reforma fiscal de Trump pode causar fuga de US$ 9 bilhões do México (foto: EPA)
17:56, 08 DezCIDADE DO MÉXICO ZGT

(ANSA) - A reforma fiscal aprovada no Senado dos Estados Unidos e promovida pelo presidente Donald Trump deve infringir um golpe "espetacular" no México, sendo que especialistas estimam que a fuga de capital oscilaria entre os US$ 9 bilhões e US$ 11 bilhões.

Economistas e analistas de mercado calculam que o maior revés, sem embargo, seria a expectativa da recepção de capitais, ou seja, não o dinheiro que vai sair de fato, mas o que provavelmente "nunca chegará".

Eles descartam que a "Lei de Talião", a popular "olho por olho, dente por dente", sobre a forma como o México poderia reagir a essa emenda, que permitirá reduzir de 35% para 20% o imposto sobre a renda das grandes companhias e que, segundo a oposição democrata, beneficiará aos milionários e atingirá em cheio à classe média.

A diretora de análise econômica e financeiro do Banco Base, Gabriela Siller, disse que, para o México, "não convém responder com uma reforma-espelho porque põe em risco as finanças públicas e a classificação de crédito".

Siller estimou que uma das alternativas pode ser "reagir com uma reforma transversal que não só diminua impostos, mas também que seja acompanhada pela redução de gastos públicos até 2020".

A reforma, que começará a ser analisada agora pela Câmara dos Representantes, contém três impostos, mas a repatriação de capital é descrita pelos especialistas mexicanos como "a mais agressiva", pois prevê imposto zero para aqueles que voltarem a investir nos Estados Unidos.

Os representantes da Câmara Baixa pretendem criar um imposto de 5% a 10% e, se for o caso desse último, a saída de capital do México ficaria em torno dos US$ 9 bilhões.

"Isso tem a ver com o reinvestimento dos lucros porque, no México, há empresas norte-americanas que estão reinvestindo seus lucros, mas se houver a repatriação de capital em 10% para os Estados Unidos, sacariam seus recursos para reinvesti-los em seu país de origem", disse Siller ao jornal "El Universal".

O vice-presidente do Colégio de Contadores Públicos, Gerardo Alfaro, também está de acordo com a consequência mais poderosa da reforma fiscal no México: a de ter esperança em receber capitais.

Um imposto corporativo de 20% é muito sedutor, pois o México cobra um imposto sobre a renda de 30% para as corporações, o que acabaria sendo "menos competitivo para captar ou reter os investimentos no país".

No entanto, há especialistas que afirmam que o México continua sendo um destino atrativo por sua mão de obra, pela qualidade de sua força de trabalho e pelas vantagens que oferece para a instalação de novas empresas estrangeiras.

O diretor da Bettinger Asesores, Herbert Bettinger, propõe como resposta ante o impacto negativo da reforma fiscal nos EUA um "mecanismo de autodefesa" que poderia reter a saída de capitais.

A desvantagem é que também isso poderia ser aplicado pelo país vizinho em uma atitude de revanche e as coisas poderiam ficar ainda mais complicadas para os mexicanos. O analista Leo Zuckermann recomendou que o México adote uma legislação análoga a dos EUA se "quiser seguir sendo competitivo" e "baixar os impostos a um nível similar a de seu vizinho".

"O problema é que isso geraria uma enorme pressão sobre as finanças públicas que apenas estão se recuperando do manejo mal feito por esse governo durante seus primeiros quatro anos. Ao reduzir a taxa do imposto de renda corporativo, cairia o recolhimento de impostos", disse Zuckerman.

O especialista, porém, afirma que isso "poderia ser compensado" com um aumento de impostos no consumo ou sua generalização, porque atualmente o México mantém uma série de alimentos e remédios isentos de taxas. Mas, ele reconhece que "não há condições políticas" para isso. (ANSA)

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