Especialistas temem fraudes em eleições no México

Compra de votos é uma prática comum no país

José Antonio Meade, candidato do governo a presidente do México
José Antonio Meade, candidato do governo a presidente do México (foto: EPA)
21:25, 12 JunCIDADE DO MÉXICO Marcos Romero

(ANSA) - Apesar das diversas reformas nas regras eleitorais do México nos últimos anos, especialistas ainda temem que aconteçam fraudes nas eleições de 1º de julho.

No passado, ficaram famosas algumas práticas ostensivas, como "el ratón loco" (trocar a localização das mesas de votação para confundir eleitores), as "urnas grávidas" (enchimento de urnas com cédulas) e a "operação tamal" (pressionar eleitores após convidá-los para um café-da-manhã).

Agora, no entanto, as infrações se tornaram mais sutis e sofisticadas, motivo que faz especialistas temerem irregularidades na votação que elegerá o presidente, 128 senadores, 500 deputados federais e nove governadores, entre outros cargos.

Entre as infrações que podem levar à cadeia estão a compra de votos, o voto sem documentos ou votar mais de uma vez na mesma eleição. O candidato presidencial do governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), José Antonio Meade, de 49 anos, está em terceiro nas pesquisas, lideradas pelo esquerdista Andrés López Obrador, 64, seguido pelo conservador Ricardo Anaya, 39.

O temor é que o PRI use sua poderosa máquina eleitoral para recorrer a velhos subterfúgios do passado para, pelo menos, garantir uma fatia importante do Congresso. Outras forças locais, como o Partido da Revolução Democrática (PRD), ex-legenda de Obrador e dominante durante duas décadas na cena política da Cidade do México, também foram acusadas de organizar redes clientelistas, dando presentes em troca de votos.

Roberto Duque, especialista da Faculdade de Direito da Universidade Nacional Autônoma do México, sustenta que os atos fraudulentos do passado foram substituídos por outros, apesar das muitas leis criadas para puni-los.

Segundo ele, a criação de uma autoridade eleitoral autônoma e independente, em 1990, conseguiu "extinguir algumas dessas práticas". Contudo, Duque indica que "surgiram novas [práticas], o que em parte tem a ver com o uso da tecnologia da informação".

Por exemplo, muitos cidadãos são obrigados a tirar fotos de suas cédulas já preenchidas em troca de algum presente para apoiar determinado candidato ou partido. "Não conseguimos erradicar o problema da compra de votos, e a distribuição de alimentos, cimento, água, é uma prática de clientelismo eleitoral que não pôde ser enterrada", lamenta o especialista.

Rafael Estrada, diretor da Faculdade de Direito da Universidade Panamericana, acrescenta que "sempre há novas formas de violentar a vontade popular". Um exemplo de delitos eleitorais mais sofisticados ficou evidente no caso da manipulação de dados do Facebook pela consultoria política britânica Cambridge Analytica nas últimas eleições nos Estados Unidos, vencidas por Donald Trump.

"Estamos ante condutas cada vez mais preocupantes, porque agora há uma possibilidade de incidir de modo determinante na vontade dos eleitores através das redes sociais", alerta Estrada. "Quero ver como vamos resolver isso em nível penal, porque não é algo fácil", completa. (ANSA)

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