Espanha nega pedir desculpas ao México por colonização

Presidente mexicano enviou cartas ao rei Felipe VI e ao Papa

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López Obrador disse que a "conquista" do México "se fez com a espada e a cruz" (foto: EPA)
18:29, 26 MarMADRI ZLR

(ANSA) - A Espanha rechaçou pedir desculpas ao México pelos abusos cometidos pelos colonizadores contra os povos nativos do país americano, como havia sido cobrado pelo presidente Andrés Manuel López Obrador.

No início de março, o mandatário enviou uma carta ao rei Felipe VI exigindo um pedido de desculpas da Espanha, no ano em que se celebra o 500º aniversário da chegada do colonizador Hernán Cortés ao que hoje corresponde ao território mexicano.

A chamada "Batalha de Centla", em março de 1519, deu início à ofensiva dos espanhóis que culminaria na queda do Império Asteca, em 1521. Para Madri, no entanto, a chegada dos europeus às atuais terras mexicanas "não pode ser julgada à luz de considerações contemporâneas".

"O rei não tem de pedir perdão a nenhum país, e isso não vai ocorrer", garantiu a vice-presidente do governo da Espanha, Carmen Calvo. Obrador também enviou uma carta exigindo desculpas do papa Francisco, já que a Igreja foi determinante nos processos de colonização na América.

O presidente do México, por outro lado, encontrou apoio no partido de extrema esquerda espanhol Podemos. "Ele tem muita razão em exigir que o rei peça perdão pelos abusos da 'Conquista'. Se o Podemos chegar ao governo, haverá um processo de recuperação da memória democrática e colonial", disse a porta-voz da legenda, Ione Belarra.

Obrador ainda justificou que seu objetivo não é buscar um embate com a Espanha ou a Santa Sé, mas sim promover a "reconciliação". Ele exige reparação pelas violações dos "direitos humanos" dos povos nativos e pelas "matanças e imposições" provocadas pela chegada dos espanhóis.

"A chamada Conquista se fez com a espada e a cruz", declarou o presidente. Em 2015, durante uma visita à Bolívia, o papa Francisco já havia pedido desculpas pelos "crimes contra os povos originários na chamada 'conquista da América'". (ANSA)

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