Paraguai convoca embaixador em Caracas

Decisão foi tomada diante de tensão no Mercosul

14:53, 08 AgoSÃO PAULO ZSG

(ANSA) - O governo do Paraguai chamou para consultas o embaixador do país em Caracas, Enrique Jara Ocampos, diante da tensão no Mercosul pela declaração unilateral da Venezuela como nova liderança do bloco.
   
O Ministério de Relações Exteriores do Paraguai informou, em comunicado, que a decisão foi tomada "em resposta às declarações feitas pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro".
   
Na última semana, o governo venezuelano denunciou Brasil, Argentina e Paraguai por se unirem contra seu país defendendo que a Presidência do Mercosul está vaga, "formando uma nova Tríplice Aliança, que vem atuando de maneira sorrateira através de manobras, tentando impedir o que por direito lhe corresponde".
   
Ainda de acordo com a chancelaria paraguaia, a consulta tem como objetivo mostrar "a preocupação e desgosto que produz uma determinada situação".
   
Se a situação se agravar, o próximo passo é a retirada do embaixador do país, um passo que antecede a ruptura definitiva de relações bilaterais, quando as representações diplomáticas são fechadas.
   
Após impasse que durou diversos dias -- e causou o cancelamento de uma cúpula de chefes de Estados do bloco -- , os diplomatas do Uruguai, que presidia o Mercosul no último semestre, decidiram no final do mês passado anunciar o fim de seu mandato, sem no entanto, transmitir o cargo a Caracas. A presidência rotativa do Mercosul é revezada de forma alfabética e, após o Uruguai, era previsto que a Venezuela assumisse o cargo.
   
Desta forma, o governo de Nicolás Maduro enviou uma carta aos outros membros informando-os que assumiria automaticamente a Presidência.

A iniciativa foi rejeitada primeiramente pelo Paraguai e, em seguida, por Argentina, que propôs uma nova reunião do Conselho para resolver a crise, e Brasil. Os argumentos formais para justificar a decisão são de ordem técnica, de que a Venezuela não cumpriu suas obrigações para assumir como membro do bloco, mas na realidade existe um conflito político. (ANSA)

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