Usina de Itaipu ameaça estabilidade do governo do Paraguai

Acordo assinado com Brasil fez membros do governo renunciarem

Bolsonaro e Abdo Benitez
Bolsonaro e Abdo Benitez (foto: EPA)
10:34, 30 JulSÃO PAULO ZBF

(ANSA) - O Paraguai enfrenta uma grave crise política que ameaça o governo do presidente Mario Abdo Benítez. O motivo da tensão é a Usina Hidrelétrica binacional de Itaipu, na fronteira com o Brasil. Os dois países assinaram um acordo em 24 de maio no qual o Brasil tenta resolver um problema de desequilíbrio praticado há anos pelo Paraguai, que se aproveita da energia excedente da usina e paga menos pela eletricidade gerada em Itaipu.

Pelo texto, o Paraguai se comprometeu a equilibrar a situação até 2022, adquirindo uma potência de 9,6% maior para este ano e de 12% maior em 2020, 2021 e 2022.

Atualmente, o Paraguai compra 61% menos do que deveria e se apropria da energia excedente, que é mais barata, para abastecer o mercado interno e atrair indústrias e investimentos. Na prática, o consumidor brasileiro quem paga essa vantagem, pois o custo da energia no Brasil chega a ser o dobro do cobrado no Paraguai.
   

Nos últimos dias, quatro membros do governo paraguaio renunciaram ao cargo: o embaixador no Brasil, Hugo Saguier; o ministro paraguaio das Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni; o presidente da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), Alcides Jiménez; e o titular da usina de Itaipu, José Roberto Alderete. Todos são contrários aos termos do acordo assinado com o Brasil.

Já o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, é favorável ao texto. No Twitter, o mandatário disse que o acordo é a prova de que o Paraguai é "um país sério" que "não precisa de pequenas vantagens".
   

Localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, a Usina de Itaipu foi construída pelos dois países entre 1975 e 1982. O governo brasileiro tem acompanhado de perto a crise no país vizinho, mas até agora não se envolveu. (ANSA)

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