Em meio à crise, presidente do Paraguai depõe sobre Itaipu

Acordo com Brasil sobre energia está sob investigação

Em meio à crise, presidente do Paraguai depõe sobre Itaipu
Em meio à crise, presidente do Paraguai depõe sobre Itaipu (foto: ANSA)
21:56, 11 AgoSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, foi ouvido neste domingo (11) por promotores do Ministério Público no inquérito que apura o acordo assinado em maio entre o país e o Brasil sobre a Usina Hidrelétrica de Itaipu, que provocou uma crise política na qual quase levou a seu impeachment. Os promotores Marcel Pecci, Susy Riquelme e Liliana Alcaráz chegaram pela manhã na Quinta de Mburuvicha Róga, residência oficial, em Assunção, para recolher o depoimento sobre o pacto, que foi anulado pelo governo paraguaio no último dia 1 de agosto.
    A investigação apura possíveis irregularidades descritas no documento que daria permissão ao Paraguai de negociar parte de sua energia excedente com empresas privadas brasileiras.
    O caso tem provocado polêmica no governo do país vizinho principalmente depois que conversas vazadas entre o advogado Joselo Rodríguez e o então presidente da entidade energética paraguaia (Ande), Pedro Ferreira, também assessor jurídico do vice-presidente Hugo Velázquez, mostram um contato com a companhia brasileira Leros, principal interessada na compra.
    Nas mensagens publicadas pela imprensa paraguaia, Rodríguez também afirmava que a Leros teria ligação com integrantes da "família presidencial do Brasil".
    Em decorrência do vazamento, as autoridades também convocaram o vice, Hugo Velázquez, e os demais envolvidos no caso para prestarem depoimento. Em entrevista à TV paraguaia, Rodríguez chegou a afirmar que mentiu durante a conversa apenas "para impressionar Ferreira".
    Além disso, Velázquez negou que o advogado fosse seu funcionário. De acordo com o promotor Pecci, a apuração será realizada durante uma semana e todos os telefones envolvidos serão investigados.
    A negociação entre Brasil e Paraguai da energia gerada pela usina causou uma crise no país vizinho, e afeta, inclusive, o presidente Jair Bolsonaro. Os partidos de oposição defenderam o impeachment do líder paraguaio, que já perdeu diversos membros de seu governo. (ANSA)

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