Ex-presidente do Peru se suicida para evitar prisão

Alan García era suspeito de receber propina da Odebrecht

Alan García era alvo de um mandado de prisão provisória de 10 dias
Alan García era alvo de um mandado de prisão provisória de 10 dias (foto: ANSA)
14:29, 17 AbrLIMA ZLR

(ANSA) - O ex-presidente do Peru Alan García se suicidou nesta quarta-feira (17), ao disparar contra sua própria cabeça para evitar a execução de um mandado de prisão provisória de 10 dias.

García atirou em si mesmo assim que a Polícia Nacional chegou em sua casa, no bairro de Miraflores, em Lima, e foi levado ao hospital de emergências Casimiro Ulloa, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.

"Nesta manhã ocorreu esse lamentável acidente: o presidente tomou a decisão de disparar em si mesmo", disse o advogado do ex-mandatário, Erasmo Reyna, na porta do hospital. Segundo a ministra da Saúde do Peru, Zulema Tomás, García sofreu três paradas cardiorrespiratórias.

O ex-presidente era investigado por suposto recebimento de propina da empreiteira brasileira Odebrecht, em um caso que diz respeito às obras da linha 1 do metrô de Lima, realizadas em seu segundo mandato (2006-2011).

A ordem de prisão havia sido emitida na última terça-feira (16), e García afirmara que não pretendia "se esconder". No fim do ano passado, o ex-mandatário chegou a pedir asilo ao Uruguai, mas a solicitação foi rejeitada.

O objetivo da Justiça era usar os 10 dias de prisão provisória para coletar novos elementos para a investigação e evitar um risco de fuga. "Estou consternado pelo falecimento do ex-presidente Alan García. Envio minhas condolências à sua família e a seus entes queridos", disse o atual presidente do Peru, Martín Vizcarra.

Além dele, outros três ex-presidentes do Peru são investigados em casos envolvendo a Odebrecht: Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018). A principal figura da oposição, Keiko Fujimori, filha do ex-mandatário Alberto Fujimori, também é alvo de inquérito.

A própria empreiteira admitiu ter pagado US$ 29 milhões em propinas a governantes peruanos, incluindo García. (ANSA)

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