Fronteiras fechadas impedem que brasileiros deixem Venezuela

Notas de 500 bolívares só chegaram ao país neste domingo (18)

Brasileiros tentam voltar para a cidade de Pacaraima, em Roraima, perto com a fronteira com a Venezuela
Brasileiros tentam voltar para a cidade de Pacaraima, em Roraima, perto com a fronteira com a Venezuela (foto: ANSA)
11:21, 19 DezSÃO PAULO ZAR

(ANSA) - As relações entre Brasil e Venezuela estão cada vez mais tensas nas fronteiras dos dois países. Cerca de 100 brasileiros continuam em cidades da fronteira venezuelana, como em Santa Helena de Uiarén, impossibilitados de voltar para o Brasil.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, estão sendo "realizadas gestões em vista a buscar uma solução para o caso dos brasileiros que desejam retornar ao Brasil".

No último sábado, dia 17, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que o fechamento temporário das fronteiras do país com o Brasil e com a Colômbia seria prorrogado até o dia 2 de janeiro para impedir a entrada de cédulas de 100 bolívares no país.

As notas, que costumavam a ser a de maior valor, foram retiradas de circulação pelo governo do país por que "máfias colombianas estariam armazenando" as cédulas com o objetivo de desestabilizar a economia venezuelana, que há anos enfrenta uma crise de desabastecimento

No lugar das notas de 100 bolívares, cédulas de 500 bolívares, que têm o valor mais baixo na nova estrutura monetária do país, entrarão em circulação na Venezuela. No entanto, as notas que deveriam já ter entrado na quinta-feira passada (15), só chegaram na nação neste domingo (18) em um avião vindo da Suécia.

De acordo com o vice-presidente do Banco Central da Venezuela (BCV), José Khan, "são 13,5 milhões de peças que chegam em 272 caixas e em cada uma há 50 mil unidades de 500 bolívares". Agora, a previsão da entrada em circulação das cédulas é para o fim do mês.

A falta das cédulas de 100 bolívares e das novas de 500 gerou pânico e desespero entre os venezuelanos, que fizeram protestos, realizaram saques a lojas e supermercados e foram impedidos mais uma vez de receberem seus salários, que costumam a ser pagos quinzenalmente no país.

Segundo Maduro, o atraso na entrega das cédulas foi causado por uma "sabotagem dirigida pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos". O presidente venezuelano já tinha dito anteriormente que o governo norte-americano estaria envolvido na "máfia".

"As notas de 500 bolívares deveriam ter chegado na quinta-feira, mas chegaram neste domingo. Como não podiam nos deter, nos deixaram quatro dias de atraso", explicou o mandatário.

Até o fim do mês, de acordo com a Presidência do país, mais 60 milhões de notas serão entregues e entrarão em circulação. "Notas de mil, 2 mil, 20 mil e mais outras de 500 ainda chegarão. Iremos acumulá-las e, quando as liberarmos, estaremos completando nossa política monetária", afirmou o presidente. (ANSA)

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