ONU e UE pedem inquérito por morte de opositor na Venezuela

Fernando Albán Salazar teria se jogado do 10º andar de um prédio

ONU e UE pedem inquérito por morte de opositor na Venezuela (foto: EPA)
21:33, 09 OutCARACAS ZCC

(ANSA) - O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU e a União Europeia (UE)pediram nesta terça-feira (9) a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias da morte do opositor venezuelano Fernando Albán Salazar, que, de acordo com as autoridades do governo de Nicolás Maduro, cometeu suicídio.

O Ministério Público venezuelano afirmou que o opositor se jogou do décimo andar do prédio do Serviço de Inteligência Bolivariano (Sebin) em Caracas. Na ocasião, ele aguardava em uma sala para ser levado ao tribunal, quando pediu para ir ao banheiro e se atirou da janela. Segundo o escritório da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, o caso pede uma "investigação independente".
   

"Esperamos uma investigação exaustiva e independente para esclarecer as circunstâncias da trágica morte do vereador Albán", afirmou o comunicado, ressaltando que "todos os presos políticos" sejam libertados.
   

A oposição Frente Amplio Venezuela Livre, por sua vez, rejeitou a versão governamental de Maduro sobre o suposto "suicídio" do líder do partido Primero de Justicia.
   

Para a legenda, Salazar, de 56 anos e vereador da cidade de Libertador, foi "morto e torturado" enquanto estava encarcerado nas masmorras do Sebin, na Plaza Venezuela, em Caracas.
   

"Esse assassinato de um cidadão privado de liberdade de forma ilegítima é de inteira responsabilidade de Maduro e seu governo, porque a tortura e a violação dos direitos humanos mais básicos se tornaram uma política estatal sistemática nos últimos anos", disse em comunicado.
   

Além disso, a Frente Amplio afirmou que "se [Maduro] tivesse um governo sério, seria o primeiro a pedir uma autópsia com uma comissão independente de especialistas internacionais para esclarecer os fatos. Mas isso não será feito porque a impunidade é o sinal mais importante da ditadura."

Para o partido, "um governo que precisa torturar, aterrorizando o seu povo, roubar nas eleições, prender adversários políticos, censura e sequestrar cidadãos para permanecer no poder, é muito fraco, curto e ilegítimo".
   

Salazar estava preso porque, segundo o governo venezuelano, ele esteve envolvido na tentativa de atentado contra Maduro, ocorrido há cerca de dois meses.

Brasil

O ministério das Relações Exteriores do Brasil também exigiu uma rigorosa investigação sobre o caso. "As circunstâncias da morte de Fernando Albán em instalações prisionais sob direto e integral controle das autoridades venezuelanas suscitam legítimas e fundadas dúvidas quanto a eventuais responsabilidades e exigem a mais rigorosa, independente e transparente investigação", diz a nota do Itamaraty.
    Além disso, o governo brasileiro expressou condolências aos familiares e amigos do opositor. (ANSA)

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