Rússia e Turquia saem em defesa de Maduro

Tayyip Erdogan pediu para o venezuelano "resistir"

Manifestante protesta contra o governo de Nicolás Maduro, em Caracas, 23 de janeiro
Manifestante protesta contra o governo de Nicolás Maduro, em Caracas, 23 de janeiro (foto: ANSA)
17:47, 24 JanPEQUIM E ISTAMBUL ZLR

(ANSA) - Após a onda de reconhecimentos do autoproclamado presidente Juan Guaidó, Rússia e Turquia saíram nesta quinta-feira (24) em defesa do regime de Nicolás Maduro.

Os dois países são os principais aliados do chavismo e prometeram investir na Venezuela para ajudar a tirar o país da crise. Segundo o Ministério das Relações Exteriores russo, a autoproclamação de Guaidó, reconhecida pelos Estados Unidos, pelo Canadá, pela maior parte da América Latina e pela União Europeia, é um "caminho rumo à ilegalidade e a um banho de sangue".

"Os venezuelanos têm direito de determinar o próprio futuro. Uma interferência externa, ainda mais neste momento, é inaceitável", diz uma nota da pasta. O presidente Vladimir Putin ainda telefonou para Maduro e garantiu que "apoia as legítimas autoridades da Venezuela".

Já o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, chamou Maduro de "irmão" e pediu para ele "resistir". "Opomo-nos a qualquer tentativa de golpe de Estado, sem distinções", afirmou, fazendo referência também ao movimento que tentou derrubá-lo, em julho de 2016, e que levou a um recrudescimento do regime em Ancara.

A China, por sua vez, pediu para os Estados Unidos não interferirem na situação venezuelana, mas manteve uma postura ambígua. "Todas as partes envolvidas devem permanecer racionais e equilibradas e buscar uma solução política, no âmbito da Constituição", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim, Hua Chunying.

UE

Embora as instituições europeias tenham demonstrado apoio a Guaidó, os países-membros ainda não se pronunciaram individualmente de forma unânime. França e Reino Unido, por exemplo, não reconhecem mais a legitimidade de Maduro, porém a Itália preferiu ser mais diplomática.

"Acompanho os acontecimentos na Venezuela e expresso forte preocupação pelos riscos de uma escalada da violência. Estamos próximos ao povo venezuelano e à coletividade italiana no país. Desejo um percurso democrático e que respeite a liberdade de expressão e a vontade popular", disse o primeiro-ministro Giuseppe Conte, sem declarar apoio explícito a Guaidó.

O autoproclamado presidente tem apenas 35 anos e é pupilo de Leopoldo López, considerado "preso político" pela oposição a Maduro. Já o chavista ainda tem a seu lado as Forças Armadas, embora Guaidó tenha acenado com uma anistia para militares.

EUA

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que o país está pronto a destinar US$ 20 milhões em ajuda humanitária ao povo da Venezuela. Ele participa de reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o tema, em Washington.

Além disso, o país pediu uma reunião a portas abertas do Conselho de Segurança das Nações Unidas a respeito da crise na Venezuela. Segundo a missão americana na ONU, a sessão aconteceria às 9h (12h em Brasília) do próximo sábado (26).

Papa

O porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, afirmou que o papa Francisco "acompanha de perto" a evolução da situação na Venezuela e "reza por todas as vítimas". "A Santa Sé apoia todos os esforços que permitam poupar mais sofrimento à população", disse ele, que está no Panamá com o Pontífice para a Jornada Mundial da Juventude. (ANSA)

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