Maduro rompe relações com Colômbia e oferece pagar por ajuda

Presidente em exercício fez um longo discurso em Caracas

Nicolás Maduro discursa para apoiadores em Caracas, capital da Venezuela
Nicolás Maduro discursa para apoiadores em Caracas, capital da Venezuela (foto: EPA)
17:29, 23 FevROMA ZLR

(ANSA) - No "dia D" designado por Juan Guaidó para a entrada de ajuda humanitária na Venezuela, o presidente em exercício Nicolás Maduro rompeu neste sábado (23) "todas as relações diplomáticas e políticas" com o governo da Colômbia e acusou o país de tramar com Donald Trump uma intervenção militar para derrubá-lo.

Falando durante mais de uma hora para uma multidão de chavistas em Caracas, Maduro tentou demonstrar força em um dia de tensão nas fronteiras e reiterou que não pretende abrir mão do poder.

"Nunca um presidente da Colômbia [Iván Duque] odiou tanto a Venezuela. Até agora eu tive paciência, porque amo o povo colombiano, que é um povo órfão", disse.

Ao anunciar o rompimento das relações, o mandatário venezuelano deu 24 horas para todos os diplomatas colombianos saírem do país. Duque, a quem Maduro chamou de "fascista", é um dos principais aliados de Guaidó, que cruzou a fronteira e tentou guiar um comboio de ajuda humanitária a partir de Cúcuta.

Em seu discurso, Maduro ironizou o fato de seu adversário não ter convocado novas eleições, já que termina neste sábado o prazo de 30 dias estipulado pela Constituição em caso de vacância da Presidência. "Convoque eleições e vamos ver quem tem mais votos", disse.

Esperava-se que Guaidó pudesse anunciar eleições neste sábado, embora não tenha poder sobre a máquina do governo, mas ele não tocou no assunto em seu pronunciamento em Cúcuta. "Estou mais maduro do que nunca, pronto para continuar governando por muitos anos. O golpe fracassou, o que vão fazer agora?", ironizou o chavista.

Maduro também garantiu que o regime tem "planos para todos os cenários" e instou seus apoiadores a iniciarem uma "grande revolução proletária" caso aconteça "alguma coisa" com ele. O presidente ainda se ofereceu para receber ajuda humanitária da União Europeia e do Brasil, mas desde que "pagando" pelos alimentos e remédios.

"Mandei uma mensagem ao Brasil dizendo que estamos dispostos, como sempre estivemos, a comprar todo o arroz, todo o açúcar, todo o leite em pó, toda a carne que vocês queiram vender. Não somos mendigos, somos gente honrada", disse.

Sobre a ajuda reunida em Cúcuta, na Colômbia, o chavista afirmou tratar-se de alimentos vencidos e "cancerígenos" e acrescentou que ao menos duas pessoas já morreram por comer esses produtos, porém sem dar nenhuma prova.

Ajuda

Cerca de 10 caminhões partiram de Cúcuta para tentar entrar na Venezuela com ajuda humanitária. Já no Brasil, duas camionetes saíram de Boa Vista, capital de Roraima, e chegaram a entrar em território venezuelano.

Em nenhum dos casos, no entanto, os veículos conseguiram superar os bloqueios das forças de segurança. Houve confrontos na fronteira brasileira e na colombiana, especialmente em Ureña, vizinha a Cúcuta.

As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter manifestantes, que tentaram desmontar os bloqueios. Quatro caminhões com mantimentos foram queimados pelos chavistas. A agência alfandegária da Colômbia, por sua vez, diz que 23 militares venezuelanos desertaram.

Já a ONG de oposição Foro Penal afirma que quatro pessoas morreram em Santa Elena de Uairén, na divisa com o Brasil. Os manifestantes teriam sido mortos por milícias chavistas. (ANSA)

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