Embaixador da Venezuela em Roma pede demissão

Apoiador de Maduro, diplomata alegou dificuldades financeiras

Embaixador da Venezuela em Roma pede demissão (foto: ANSA)
10:32, 21 MaiCARACAS ZBF

(ANSA) - O embaixador da Venezuela na Itália, Isaías Rodríguez, demitiu-se do seu cargo, alegando que, apesar de continuar apoiando o regime de Nicolás Maduro, não há condições financeiras para exercer as funções devido às sanções financeiras.

Em uma longa carta publicada nas redes sociais, o embaixador de 77 anos, que foi constituinte em 1999, vice-presidente executivo da República e procurador-geral da Venezuela, ressaltou que Maduro não deveria "acolher ou rejeitar" sua demissão, porque "é definitiva".

"A sua causa é minha. Com fé absoluta me aferro ao chavismo, como uma prancha neste oceano de contradições que cerca seu governo", escreveu Rodríguez, referindo-se sempre a Maduro.

O embaixador disse que, além do impacto das sanções financeiras dos Estados Unidos, apoiadas pelo sistema bancário italiano, quer se afastar do cargo para se dedicar à função familiar de avô.

"Deixo o cargo sem rancor e sem dinheiro. Minha mulher vendeu os vestidos que a presenteei para poder sobreviver diante do embargo norte-americano. Estou tentando vender o carro que comprei quando cheguei à embaixada e, como o senhor [Maduro] sabe, não tenho conta bancária porque os 'gringos' me sancionaram e os bancos italianos fecharam as portas a mim", confessou.

Rodríguez tinha denunciado em 7 de maio, durante uma entrevista coletiva, os graves problemas econômicos da embaixada, com dívidas que chegam a 9 milhões de euros.

A demissão, anunciada ontem (20), veio no mesmo dia em que Maduro comemorou um ano da sua contestada reeleição à Presidência, considerada ilegítima pela oposição e por parte da comunidade internacional.

Em discurso oficial, Maduro propôs antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, casa do Poder Legislativo controlada pela oposição. As eleições para a Assembleia Nacional, em princípio, estão previstas para 2020.

A Casa é presidida pelo deputado opositor Juan Guaidó, que se autodeclarou presidente da Venezuela e é atualmente o maior adversário de Maduro. (ANSA)

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