ONU denuncia 'esquadrões da morte' na Venezuela

Bachelet entregou relatório sobre situação no país sul-americano

Bachelet entregou relatório sobre situação na Venezuela
Bachelet entregou relatório sobre situação na Venezuela (foto: EPA)
09:59, 05 JulROMA ZBF

(ANSA) - A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou a fragilidade do estado de direito e a possível atuação de "esquadrões da morte" na Venezuela.

 

Bachelet, que fez uma visita à Venezuela entre os dias 19 e 21 de junho, apresentou um relatório ao Conselho de Direitos Humanos de Genebra, no qual relata a situação no país.

 

"As principais instituições e o Estado de direito na Venezuela sofrem erosão", alegou. "O exercício da liberdade de opinião, de expressão, de associação e de reunião, e o direito a participar na vida pública, comporta um risco de represálias e de repressão", disse a chilena.

 

O relatório de Bachelet menciona "ataques a opositores reais ou supostos e a defensores dos direitos humanos, que vão desde ameaças e campanhas de difamação à detenção arbitrária, tortura e maus-tratos, violência sexual, assassinatos e desaparecimentos forçados".

 

Essa "força excessiva e letal", de acordo com a ONU, "foi utilizada em várias ocasiões contra os manifestantes". O relatório indica que, no ano passado, 5.287 pessoas foram assassinadas em supostos casos de "resistência à autoridade", segundo o governo de Nicolás Maduro. Entre 1 de janeiro e 19 de maio de 2019 outras 1.569 pessoas foram assassinadas, no balanço de Caracas.

 

A suspeita é que "esquadrões da morte" estejam forjando situações de resistência à autoridade para justificar a violência. As famílias de 20 homens disseram que homens das Forças de Ação Especial da Venezuela (FAES), vestidos de preto e mascarados, chegaram em picapes sem placas.

 

Segundo os relatos, os esquadrões da morte invadiram as casas, levaram pertences e agrediram mulheres e meninas, às vezes arrancando suas roupas. "Eles separavam homens jovens de outros familiares antes de baleá-los", apontou o relatório. (ANSA)

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