Venezuela critica acolhida do Brasil a militares desertores

Governo Maduro afirmou que soldados são 'terroristas'

Venezuela critica acolhida do Brasil a militares desertores
Venezuela critica acolhida do Brasil a militares desertores (foto: EPA)
18:56, 30 DezSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - O governo de Nicolás Maduro criticou o tratamento oferecido pelo Brasil a cinco militares venezuelanos que foram encontrados no território brasileiro na semana passada.

Em comunicado, a Venezuela diz que o Brasil classificou os soldados como refugiados sendo que são "cinco terroristas", apesar de não apresentar provas dessa acusação.

O ministério das Relações Exteriores do Brasil, por sua vez, também não confirmou ter concedido status de refugiados aos homens. Na última sexta-feira (27), os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores informaram que cinco militares venezuelanos desarmados foram localizados na região da terra indígena de São Marcos, nordeste de Roraima, durante uma missão de reconhecimento e patrulhamento nas áreas de fronteira.

De acordo com a nota assinada pelos ministérios, o grupo foi conduzido a Boa Vista onde foi entrevistado. O governo não informou se os venezuelanos são desertores do exército daquele país e tentavam entrar clandestinamente no Brasil. O grupo foi acolhido no sábado (28) pela "Força Tarefa Logística Humanitária Operação Acolhida", que recebe imigrantes na fronteira.

O governo brasileiro faz parte do Grupo de Lima, que pediu a saída de Maduro do poder ainda em abril. Em janeiro deste ano, logo após a posse do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil reconheceu como presidente interino do país vizinho Juan Guaidó que, até então, era presidente da Assembleia Nacional venezuelana e o principal nome da oposição ao presidente Nicolás Maduro.

A crise política na Venezuela, marcada pela disputa entre Maduro e Guaidó, é acompanhada de uma crise social. Em 2019, o país enfrentou falta de abastecimento, com falta de alimentos, apagões e uma inflação que chegou a ultrapassar 1 milhão por cento.

No início do ano, as ruas do país foram palco de conflitos entre opositores do governo e os militares. Os conflitos eclodiram em várias partes do país, inclusive na fronteira do país com a Colômbia e com o Brasil.

Na última semana, o ministro das Comunicações da Venezuela, Jorge Rodríguez, acusou o governo brasileiro de participação no ataque a uma base militar, que matou um venezuelano. Pelo Twitter, Rodríguez disse que o Brasil ajudou a colaborar com o treinamento dos autores do ataque. O governo brasileiro negou envolvimento no ataque. (ANSA - Com informações da Agência Brasil)

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