Comissão da ONU acusa Maduro de crimes contra a humanidade

Relatório apontou execuções extrajudiciais e torturas no país

Regime de Nicolás Maduro é acusado de torturar e executar dissidentes
Regime de Nicolás Maduro é acusado de torturar e executar dissidentes (foto: ANSA)
18:02, 16 SetGENEBRA ZLR

(ANSA) - Uma comissão de investigadores nomeada pelas Nações Unidas (ONU) divulgou nesta quarta-feira (16) um relatório que implica o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e membros de seu governo em possíveis crimes conta a humanidade.

O documento feito pelos especialistas da ONU cita supostas execuções extrajudiciais e uso sistemático de tortura por parte do regime chavista.

A missão foi estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no ano passado e encontrou "motivos razoáveis para acreditar que autoridades venezuelanas e forças de segurança planejaram e executaram sérias violações desde 2014".

"Longe de serem atos isolados, esses crimes foram coordenados e cometidos de acordo com políticas estatais, com o conhecimento ou apoio direto de comandantes e funcionários de alto escalão do governo", diz a chefe da missão da ONU, Marta Valinas.

O relatório de 411 páginas ainda cita "motivos razoáveis para acreditar que tanto o presidente [Nicolás Maduro] quanto os ministros do Interior, Justiça e Paz [Néstor Reverol] e da Defesa [Vladimir Padrino López] ordenaram ou contribuíram para o cometimento dos crimes documentados".

Os investigadores da ONU pedem que as autoridades venezuelanas iniciem inquéritos "independentes, imparciais e transparentes" sobre as violações e garantam "reparação total" para as vítimas. Além disso, afirmam que outras jurisdições, como o Tribunal Penal Internacional, devem considerar "ações legais" contra os responsáveis pelos crimes identificados pela missão.

A comissão de três investigadores não conseguiu visitar a Venezuela e baseou suas conclusões em 274 entrevistas feitas remotamente com vítimas, testemunhas e ex-oficiais do Estado, além de documentos confidenciais e processos judiciais.

A missão da ONU analisou mais de 2,5 mil incidentes ocorridos desde 2014 e que levaram a mais de 5 mil mortes causadas pelas forças de segurança. "As mortes parecem ser parte de uma política para eliminar membros indesejados da sociedade com a desculpa de combater o crime", diz Valinas.

As torturas supostamente usadas por chavistas incluem estupros, asfixias, espancamentos, choques elétricos e ameaças de morte para obter confissões forçadas.

Maduro é acusado pela oposição e por parte da comunidade internacional, incluindo Estados Unidos, União Europeia e Brasil, de usar a violência contra dissidentes e de ser o principal responsável pela crise política, econômica e social na Venezuela.

Reação - 

O governo da Venezuela afirmou na tarde desta quarta-feira (16) que o relatório da ONU que acusa o presidente Nicolàs Maduro de crimes contra a humanidade está "cheio de falsidades".

"O documento foi elaborado à distância, sem nenhum rigor metodológico, por uma missão fantasma contra a Venezuela controlada por governos subordinados a Washington", escreveu o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, no Twitter. (ANSA)

 

 

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