Campinas recebe 1ª edição da Mostra de Cinema Italiano

Cidade paulista exibirá 18 filmes com enfoque na juventude

Vencedor do Urso de Ouro, 'Fogo no Mar' será um dos destaques da mostra
Vencedor do Urso de Ouro, 'Fogo no Mar' será um dos destaques da mostra (foto: ANSA)
13:21, 06 AbrSÃO PAULO Ana Ferraz

(ANSA) - A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, recebe a partir desta quinta-feira, dia 6, a primeira edição da Mostra de Cinema Italiano, que, até o próximo dia 13, exibirá 18 filmes do país da bota em vários locais do município paulista.

Estreando na cidade, o evento terá como tema os jovens e a "gramática usada pelas novas gerações". Em entrevista à ANSA, o ator e produtor italiano Francesco Siciliano disse que foram escolhidos filmes "que falassem dos jovens, que os tivessem como protagonistas e que fossem, de alguma maneira, autores para se entender o novo modelo de cinema" na Itália.

"Entendemos que a grande força desse festival pode ser a de endereçar sua atenção às novas gerações, à universidade e à relação educativa e formativa que o cinema tem. [Esta] é a maior possibilidade de manter em contato dois povos, duas culturas diferentes, mas no fundo não tão diversas assim: a italiana e a brasileira", afirmou Siciliano.

Entre os destaques da mostra está o filme "Le Verità" ("As Verdades"), de Giuseppe Alessio Nuzzo, que fará sua estreia mundial em Campinas, e o longa "Il Racconto dei Racconti" ("O Conto dos Contos"), de Matteo Garrone, que, mesmo tendo sido filmado em inglês, trata da cultura italiana e é baseado na "tradição literária" do país.

Além disso, outras obras muito esperadas no evento são "Lo Chiamavano Jeeg Robot" ("Meu Nome é Jeeg Robot"), de Gabriele Mainetti, "que é a história de uma fantasia científica imaginada em uma periferia romana", segundo o produtor italiano; "Smetto Quando Voglio" ("Paro Quando Quiser"), de Sydney Sibilia; e, sem dúvida, "Fuocoammare" ("Fogo no Mar"), de Gianfranco Rosi, que concorreu ao Oscar de melhor documentário e ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2016.

Segundo o secretário de Cultura de Campinas, Ney Carrasco, a ideia da mostra surgiu da "vontade de reestabelecer o contato entre a cidade e a Itália". A escolha do município para sediar o evento se deu graças principalmente a seu sistema universitário, já que a ideia do festival era ser uma mostra artística, mas também acadêmica.

Além disso, a influência da Itália na história do município também foi importante para a decisão. "Campinas é uma cidade muito italiana, ela foi uma das cidades mais importantes do ciclo cafeeiro, que foi o ciclo econômico que mais absorveu imigrantes italianos", comentou Carrasco.

E por fim, o evento também será uma maneira de aumentar o intercâmbio cultural entre os dois países. "O intercâmbio cultural é a base da convivência atual. As dificuldades que as pessoas têm em aceitar quem não é igual a elas mesmas são a base do racismo que neste momento contamina o mundo. O meu país é um país que de repente se descobriu racista, a Europa se descobriu racista", concluiu Siciliano.

Para conferir a programação completa da 1ª Mostra de Cinema Italiano de Campinas, incluindo filmes que serão exibidos, como o especial sobre o cineasta Elio Petri, e eventos acadêmicos e culturais paralelos, como uma mostra que reunirá dezenas de fotos de sets de filmagens e fotogramas das obras que serão apresentadas, basta acessar o site oficial. (ANSA)

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