2ª Guerra Mundial deixou impactos na atmosfera

Ondas de choque chegaram à ionosfera

Bombardeios diminuíram concentração de elétrons na atmosfera.
Bombardeios diminuíram concentração de elétrons na atmosfera. (foto: US Air Force)
13:50, 27 SetROMA ZFD

(ANSA) - Os bombardeios dos Aliados (Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética e China) durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) não causaram devastação somente na Terra, mas deixaram rastros também na atmosfera. A ondas de choque causadas pelas bombas foram tão fortes que chegaram à ionosfera, camada mais externa do planeta, a mais de mil quilômetros de altura. A revelação foi feita por um estudo da Universidade de Reading, no Reino Unido, publicado na revista "Annales Geophysicae", cujos resultados permitem entender melhor a influência na atmosfera de fenômenos como erupções vulcânicas, raios e terremotos.

"Até agora, o impacto das bombas nos estratos mais altos da atmosfera nunca havia sido estudado", afirma Chris Scott, um dos autores do estudo. "Cada ataque causou pelo menos 300 raios", acrescenta o cientista.

Os pesquisadores examinaram registros diários feitos entre 1943 e 1945 pelo Centro de Pesquisa de Ondas de Rádio de Slough, no Reino Unido, analisando as mudanças detectadas na ionosfera durante 152 grandes bombardeios dos aliados na Europa. A concentração de elétrons na camada atmosférica diminuiu drasticamente enquanto as bombas explodiam próximas à terra, o que, segundo a pesquisa, pode ter sido causado pelo aquecimento do ar.

"Os pilotos que participavam dos bombardeios frequentemente relatavam avarias aos aviões mesmo quando estavam acima da altitude recomendada, enquanto os militares que estavam no chão, sob os bombardeios, afirmam que chegaram a ser arremessados pelas ondas de choque ", relata Patrick Major, coautor do estudo. "Circulavam também boatos que aconselhavam a quem estivesse nos refúgios próximos às áreas de combate que enrolassem uma toalha em volta do rosto, para evitar que as ondas de choque colapsassem os pulmões, deixando o resto do corpo intacto" conclui. (ANSA)

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