Itália quer rever empréstimo de obras de Da Vinci ao Louvre

Acordo foi assinado em vista de mostra prevista para 2019

Exterior do Museu do Louvre, em Paris
Exterior do Museu do Louvre, em Paris (foto: ANSA)
14:49, 21 NovSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Já em pé de guerra por causa da crise migratória e da disputa entre nacionalismo e europeísmo, Itália e França protagonizam uma nova frente de batalha, desta vez na cultura.

A subsecretária do Ministério dos Bens Culturais italiano, Lucia Borgonzoni, do partido ultranacionalista Liga, quer rever um acordo assinado pelo governo anterior, em 2017, que prevê o empréstimo de obras de Leonardo Da Vinci ao Museu do Louvre, em Paris, para uma exposição em celebração pelos 500 anos da morte do artista.

A mostra acontecerá em setembro de 2019, e a Itália havia aceitado ceder à França temporariamente todas as pinturas e desenhos de Da Vinci em seu poder, à exceção da Adoração dos Magos, que está nas Gallerie degli Uffizi, em Florença, e é irremovível.

Isso incluiria obras célebres do gênio renascentista, como o "Homem Vitruviano", exposto na Galeria da Academia, em Veneza, e a "Anunciação", propriedade dos Uffizi. Mas, segundo Borgonzoni, o novo governo nacionalista da Itália não quer manter o acordo.

"Leonardo é italiano, ele só morreu na França. Ele não é 'Leonardô', como eles dizem, e dar todos esses quadros ao Louvre significa colocar a Itália à margem de um grande evento cultural. É preciso rediscutir tudo. No respeito da autonomia dos museus, o interesse nacional não pode ficar em segundo plano, os franceses não podem ter tudo", disse a subsecretária ao jornal "Corriere Della Sera".

O acordo foi estipulado na gestão do ministro Dario Franceschini, de centro-esquerda, e prevê que, como contrapartida, o Louvre emprestará à Itália obras de Rafael para uma grande exposição sobre o mestre em 2020, em Roma.

Desde a posse do novo governo italiano, em junho, a França virou um de seus alvos preferidos, a ponto de o presidente Emmanuel Macron se colocar publicamente como principal adversário dos populistas, capitaneados pelo ministro do Interior Matteo Salvini, secretário da Liga.

O também vice-premier italiano, por sua vez, já chamou Macron de "hipócrita falastrão" e de "senhorzinho educado que se excede no champanhe". A França acusa a Itália de violar leis internacionais ao impedir o desembarque de migrantes resgatados no Mediterrâneo, enquanto Roma denuncia Paris pelo suposto bloqueio de solicitantes de refúgio na fronteira entre os dois países. (ANSA)

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